- Entre 2002 e 2019 houve uma perda líquida de meio milhão de toneladas métricas de carbono orgânico do solo (SOC) em manguezais destruídos, equivalente às emissões de cerca de 6.600 carros de passeio naquele período.
- A maior parte dessa perda ocorreu em manguezais maduros, que armazenavam mais carbono do que manguezais recém-estabelecidos.
- Os Estados Unidos corresponderam a cerca de sessenta por cento das perdas globais de SOC de manguezais entre 2002 e 2019, com a região do Golfo do México sofrendo forte impacto.
- Asia, especialmente a China, acrescentou quase um milhão de toneladas métricas de SOC desde 2002, com expansão e restauração de manguezais sem grandes perdas.
- Manguezais cobrem menos de dez por cento da superfície global, mas armazenam cerca de um terço do carbono do solo, atuando como reservas silenciosas e cruciais de carbono ao longo de séculos.
O recuo das marismas salinas não compensa a perda de áreas mais antigas de zonas úmidas, aponta estudo internacional. Em 2002 a 2019, a destruição dessas áreas provocou perda líquida de cerca de 0,5 milhão de toneladas métricas de carbono orgânico de superfície, menos de 1% do carbono das florestas. O solo das áreas em estágio mais maduro armazenava mais carbono que as novas.
A pesquisa mede armazenamento de carbono em solos de marismas salinas em várias regiões. O saldo negativo ocorreu mesmo com a recuperação de área global, indicando que a recuperação física não reverteu as perdas de carbono. Os autores destacam o papel desproporcional dos manguezais maduros nesse processo.
No sul dos Estados Unidos, a perda de carbono é mais acentuada. O estudo aponta a região da Costa do Golfo da Louisiana como epicentro, com Katrina em 2005 e Rita no mesmo ano provocando danos imediatos a áreas de marisma ricas em carbono. A industrialização local também contribuiu para degradação.
A região sofreu impactos adicionais por mais de 75 mil sondas de óleo e gás e por escoamento de nutrientes da agricultura, que contribuíram para degradar as marismas costeiras. Os impactos dessas pressões históricas aparecem na transformação de áreas úmidas em marolas expostas ao luxo da maré.
Entre 2002 e 2019, os EUA responderam por cerca de 60% das perdas globais de marismas, segundo o estudo. Em contrapartida, a Ásia mostrou ganho expressivo, com quase um milhão de toneladas de carbono orgânico de superfície adicionadas desde 2002, sendo a China responsável por mais de 75% desse incremento.
A China foi citada como exemplo de recuperação sustentável. O estudo destaca que o país não apenas restaurou áreas isoladas, mas criou um marco de ação que integra desenho estratégico, implementação prática e manejo contínuo. O modelo é descrito como de baixo custo e de rápida atuação.
A comparação global evidencia que as marismas ocupam menos de 10% da superfície terrestre, mas armazenam cerca de um terço do carbono do solo. Quando degradadas, liberam grande parte desse carbono que contribui para o aquecimento global ao longo de séculos.
Para os autores, as marismas são guardiãs ecológicas silenciosas. Além de armazenarem carbono, abrigam espécies como peixes, caranguejos e aves migratórias, e oferecem proteção contra desastres naturais e erosão costeira. A proteção dessas áreas continua sendo uma prioridade científica.
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