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Fetos teriam mais PFAS no sangue do que se pensava

Estudo amplia análise de substâncias perfluoroalquil (PFAS) no sangue do cordão umbilical, identificando quarenta e dois compostos; exposição fetal pode ser maior do que se pensava

‘Fetuses are widely exposed to Pfas via umbilical cord blood.’ Photograph: Olga Rolenko/Getty Images
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  • Um estudo da Mount Sinai, nos Estados Unidos, analisou 120 amostras de sangue do cordão umbilical e encontrou 42 compostos de PFAS, além dos que normalmente são testados.
  • A análise expandida, chamada de “não direcionada”, revelou níveis totais de PFAS bem mais altos do que os verificados em métodos tradicionais.
  • Os PFAS são conhecidos como “químicos para sempre”, usados para tornar produtos resistentes à água, manchas e gordura, e não se decompõem facilmente no ambiente.
  • A pesquisa aponta que bebês podem estar expostos a muito mais PFAS do que se pensava, especialmente durante o período fetal, ainda que não haja ligação comprovada com efeitos de saúde no estudo.
  • Reguladores, como a Agência de Proteção Ambiental (Environmental Protection Agency, EPA), atualizam testes, mas, atualmente, costumam verificar apenas dezenas de compostos, enquanto estudos independentes já encontraram milhares.

O estudo expandido de PFAS em sangue de umbilical mostra que fetos podem ter níveis muito mais altos dessas substâncias do que se pensava. A pesquisa analisou 120 amostras de sangue de cordão umbilical, já identificadas com até quatro compostos, e identificou 42 PFAS diferentes nelas.

A pesquisadora Shelley Liu, associada ao Icahn School of Medicine no Mount Sinai, destacou a relevância de entender a exposição fetal, pois esse é um período muito vulnerável. A análise ampliada utiliza um método não direcionado, capaz de detectar milhares de compostos, diferente do uso tradicional que busca apenas alguns PFAS comuns.

Descobertas e implicações

Os PFAS são cerca de 15 mil compostos usados para conferir resistência a água, manchas e graxa. Têm sido associados a câncer, defeitos de nascimento, queda de imunidade, hipertensão e outras doenças. Os compostos não se degradam facilmente no ambiente.

A pesquisa comparou o método tradicional com a análise não direcionada, encontrando 31 PFAS não incluídos no teste regulatório da EPA, que hoje cobre cerca de 53 compostos. Os níveis totais nas amostras foram significativamente maiores com a abordagem expandida, reforçando a ideia de subavaliação da exposição.

Contexto e próximos passos

O estudo utiliza dados do Home Study, programa federal que acompanha a exposição a PFAS e desfechos de saúde ao longo da vida. Os autores pretendem investigar, com dados adicionais, quais efeitos de saúde podem estar associados aos níveis mais altos encontrados.

Analistas de proteção ambiental ressaltam que a descoberta aponta para a necessidade de regulamentações mais abrangentes e fiscalização contínua. A análise da Mount Sinai também sugere que reguladores devem acompanhar a evolução dos PFAS, incluindo novos compostos que emergem no meio ambiente.

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