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Trump destaca economia climática, mas nova regra pode elevar preços nos EUA

Análise da EPA mostra que a revogação da determinação de risco climático elevará o preço da gasolina e pode custar até US$ 1,5 trilhão, anulando US$ 1,3 trilhão em ganhos

Used cars at a dealership in Colma, California.
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  • A administração Trump finalizou a revogação da conclusão de risco de endangerment, base legal de regulações climáticas, afirmando que isso pouparia dinheiro aos americanos até 2055.
  • A análise da EPA sustenta que a medida pode gerar economia de US$ 1,3 trilhão, principalmente com redução de preços de veículos e menor gasto com compras de veículos elétricos e infraestrutura de carregamento.
  • No entanto, o documento aponta custos adicionais de US$ 1,4 trilhão com maior compra de combustível, reparos, seguros, congestionamento e barulho, totalizando cerca de US$ 1,5 trilhão em perdas.
  • O estudo indica que, até 2050, os preços da gasolina poderiam subir cerca de 75 centavos por galão, representando alta de aproximadamente 29% em comparação com a manutenção das políticas atuais.
  • Críticos destacam que a análise não leva em conta custos sociais e climáticos, como aumento de emissões de gases e impactos à saúde, e dizem que a estimativa “puxa para baixo” o desafio ambiental.

O governo Trump anunciou a revogação da determinação de endangerment finding, base de quase todas as regulamentações climáticas federais, como parte de sua ofensiva contra normas de gases de efeito estufa para veículos. A meta é reduzir regulações, segundo o presidente e o secretário do Meio Ambiente, Lee Zeldin. O gabinete afirma que a medida pode gerar economia de US$ 1,3 trilhão até 2055.

A agência ambiental publicou uma análise de impacto regulatório para sustentar a estimativa de economia. O documento aponta US$ 1,1 trilhão em redução de preços de veículos e US$ 200 bilhões com menos compras de veículos elétricos e menor gasto com infraestrutura de carregamento.

Entretanto, o estudo também indica custos adicionais: até 2055, US$ 1,4 trilhão com maior consumo de combustível, reparos, seguros e congestionamento. Outros US$ 40 bilhões viriam de menor segurança energética, tempo de reabastecimento e redução do valor de uso do veículo.

No total, a revogação da endangerment finding poderia gerar custos de US$ 1,5 trilhão, superando os US$ 1,3 trilhão de supostos benefícios, mesmo antes de contabilizar impactos sociais e climáticos.

Críticos afirmam que a análise embute custos ambientais e de saúde não considerados. Kathy Harris, da organização ambientalista NRDC, disse que os impactos negativos tendem a superar os benefícios.

Em nota, a EPA afirmou que o governo segue a lei ao encerrar uma suposta expansão de regulação anterior, defendendo que a ação evita excessos de agendas anteriores.

Cenário de preços de combustível

O documento sustenta que, em um cenário de queda severa no preço do combustível, os benefícios da revogação poderiam superar os custos. Esse cenário usa uma projeção da EIA incluída para ilustrar volatilidade dos preços internos.

Para Harris, esse cenário de baixo preço de combustível não é realista e não representa políticas que possam, de fato, reduzir os preços conforme sugerido pela análise.

A análise também não apresenta evidências de que a política possa reduzir significativamente os preços de combustível conforme o cenário de menor preço sugere, segundo críticos.

Custos sociais e climáticos não avaliados

Especialistas destacam que a análise não considera custos adicionais de aquecimento global, que poderiam ser relevantes. Estudos mostram que a revogação pode aumentar emissões de gases de efeito estufa, com consequências de saúde pública e ambientais.

Grupos de defesa afirmam que a retirada de normas poderia aumentar custos relacionados a poluição e impactos climáticos.

Abre Conner, da NAACP, classificou a decisão como favorável a interesses de grandes produtores de petróleo e prejudicial a trabalhadores e comunidades vulneráveis. A EPA não detalhou como avaliou números econômicos apresentados.

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