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Pescadores da Amazônia ajudam cientistas a mapear danos de barragens no Madeira

Pescadores ajudam cientistas a mapear danos da usina Santo Antônio na Madeira, com redução de até noventa por cento nas pescarias e deslocamento de comunidades

On their way back from a day of fishing, fishers shared information on where, how, when and how much they spent to catch fish as well as the amount and the species caught. Researchers present at the daily landings collect information to quantify and identify the fish, take biometric measurements and photos of all captured fish, and systematize the data, allowing researchers to identify which fish came from which vessel. Image courtesy of Igor Hister Lourenço.
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  • Pescadores da Lago Puruzinho, no Amazonas, relatam queda acentuada de espécies como pirarucu, tambaqui e pirapitinga após o início da usina Santo Antônio em 2008, com água ainda e vazante afetando a pesca.
  • O morador Raimundo Nonato dos Santos, líder da comunidade, afirma que as mudanças prejudicaram a subsistência e a alimentação diária da região.
  • Um estudo da Universidade Federal do Amazonas, divulgado em 2023, relata redução de estoques e aponta 25 novos pontos de pesca, além de diminuição nas capturas de várias espécies.
  • O trabalho teve participação de 120 pescadores, usando método de monitoramento simples que registra onde, quando e quanto foi pescado para mapear impactos.
  • As empresas das usinas Santo Antônio e Jirau defendem atuação sustentável e investimentos em programas sociais, enquanto pesquisadores destacam quedas de até noventa por cento em alguns locais e alterações na dinâmica de captura.

Lago Puruzinho, Brasil — Em Lago Puruzinho, no extremo norte do estado do Amazonas, pescadores relatam queda acentuada nas capturas de peixe e impacto na subsistência da comunidade. Pesquisadores associam a queda à construção e operação de usinas hidrelétricas na bacia do Madeira.

O pescador Raimundo Nonato dos Santos, 53 anos, líder da comunidade Puruzinho, diz que espécies como pirarucu, tambaqui e pirapitinga teriam “desaparecido” do lago. A situação teria se agravado após o início das obras da usina Santo Antônio em Rondônia, em 2008.

A usina Santo Antônio, inaugurada em operação em 2012, e a vizinha Jirau, em operação desde 2013, são apontadas como responsáveis por reduzir o fluxo natural da Madeira e alterar habitats. Estudos indicam queda de estoques de peixes na região após os empreendimentos.

Investigação científica e participação de pescadores

Pesquisadores da UFAM acompanharam a colaboração com 120 pescadores para mapear impactos. O estudo, publicado em 2023, utiliza dados de pescarias diárias em Humaitá entre 2018 e 2019, cruzados com informações históricas anteriores às hidrelétricas.

O trabalho, liderado pela UFAM, mostra que as hidrelétricas modificaram períodos e locais de captura de várias espécies, alterando a dinâmica de pesca artesanal na região. A metodologia TSBCAMPA foi essencial para a coleta de informações.

Resultados e leitura técnica

Segundo os pesquisadores, houve redução de até 90% em algumas áreas, com 65 espécies afetadas pelas obras. Além da queda de estoques, houve mudanças na distribuição temporal das capturas, levando comunidades a buscar áreas mais distantes.

Os resultados indicam que o principal desafio não é apenas o volume de peixe, mas a mudança espacial e temporal da atividade pesqueira, produzindo impactos desproporcionais em comunidades tradicionais.

Reação e próximos passos

A Axia, responsável pela Santo Antônio, afirma que a operação é sustentável e que há programas sociais e ambientais supervisionados pelo governo, incluindo um programa de ichthyofauna desde 2009. A empresa sustenta que o reservatório é pequeno e reproduz o comportamento hidrológico da Madeira.

A Jirau Energia não respondeu aos contatos para comentar. Pesquisadores defendem a continuidade da parceria com pescadores para aperfeiçoar a avaliação, com foco em espécies selecionadas para comparação pré e pós-dam.

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