- Estudo internacional com mais de 9,3 milhões de sul-coreanos e 6.803 americanos mostrou que, em mais de 99% dos casos de eventos cardiovasculares, havia pelo menos um fator de risco prévio.
- Entre 93% e 97% dos pacientes apresentavam dois ou mais fatores de risco antes do infarto, incluindo pressão arterial elevada, colesterol alto, glicemia alterada e histórico de tabagismo.
- Mesmo níveis limítrofes, como pressão normal-alta e pré-diabetes, contribuíram para o risco ao longo do tempo.
- A doença tem raízes na aterosclerose: acúmulo de gordura e inflamação nas artérias pode levar à ruptura de placas e ao infarto.
- A prevenção depende de mudanças de estilo de vida e de exames simples (pressão, glicemia, colesterol, peso) e acompanhamento médico regular, com intervenção precoce quando necessário.
A síndrome do infarto não surge de surpresa. Um estudo internacional, com dados de mais de 9,3 milhões de sul-coreanos e 6.803 norte-americanos, indica que, em 99% dos casos, já havia pelo menos um fator de risco antes do primeiro evento cardíaco.
Entre os fatores avaliados estavam pressão arterial, colesterol, glicose e histórico de tabagismo. Mesmo níveis considerados limítrofes entram no cálculo de risco ao longo do tempo, desmontando a ideia de “infarto do nada”.
A pesquisa reforça que o problema muitas vezes permanece não identificado ou não tratado, mesmo quando alterações parecem discretas. Pressão de 120/80 mmHg, pré-diabetes e colesterol moderadamente alto já demandam acompanhamento.
Para a cardiologista Juliana Tranjan, do Einstein Goiânia, o infarto passa a ser entendido como desfecho de um processo crônico, progressivo, muitas vezes prevenível. A prevenção depende de diagnóstico e manejo precoces.
Aterosclerose e fatores de risco
O acúmulo de gordura e inflamação nas artérias, denominado aterosclerose, explica a maior parte dos infartos. Diabetes, obesidade e distúrbios metabólicos favorecem a formação de placas que podem romper e bloquear a circulação.
O LDL elevado agrava o depósito de gordura, enquanto glicose excessiva aumenta a inflamação. O cigarro também eleva o risco ao causar inflamação e estresse oxidativo, contribuindo para rupturas de placas.
O processo é lento e, às vezes, assintomático. Quando surgem sinais, eles podem parecer cansaço excessivo, queda de performance física ou falta de ar. Esses sintomas costumam ser confundidos com envelhecimento ou estresse.
Caminhos de prevenção
Mudanças no estilo de vida são capazes de reduzir o risco e retardar a progression da doença. Perda de peso, alimentação balanceada, atividade física regular, abandono do tabaco e sono adequado são pilares.
Segundo o especialista Márcio Weissheimer Lauria, intervenções simples com peso estável e exercício geram resultados visíveis em exames. Em estágios avançados, o foco é estabilizar o quadro e evitar a progressão.
Exames simples, impacto relevante
Ainda que haja interesse por marcadores sofisticados, rastreamento cardiovascular depende de medidas básicas: pressão arterial, glicemia, colesterol, triglicérides, peso e circunferência abdominal. Avaliação individualizada facilita a prevenção.
Marcadores como apolipoproteína B e lipoproteína(a) ajudam em casos específicos, especialmente com histórico familiar forte. A lipoproteína(a) pode exigir dosagem única ao longo da vida, conforme diretrizes.
O uso de tomografia de cálcio coronariano pode quantificar placas calcificadas. A prevenção começa com acompanhamento médico regular e exames de rotina, antes de qualquer desconforto.
Conclusão operativa
A doença aterosclerótica evolui ao longo de décadas, com o evento agudo representando a manifestação tardia. A mensagem central é clara: prevenir é possível por meio de controle de fatores de risco e de intervenções precoces.
Fonte: Agência Einstein
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