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Crime organizado na Faria Lima: fintechs viram rota de lavagem de dinheiro

Operação Fluxo Oculto mostra fintechs como portas de entrada de mais de R$ 26 bilhões para crimes, elevando o risco no sistema financeiro

Seis fintechs alvo da Fluxo Oculto movimentaram R$ 26 bilhões em quatro anos — Foto: Receita Federal
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  • Seis fintechs alvo da operação Fluxo Oculto movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025.
  • O dinheiro ilícito era inserido no sistema financeiro por meio dessas fintechs, consideradas “bancos paralelos” pelo Ministério Público e pela Receita Federal.
  • Os recursos eram desdobrados em fundos de investimento para ocultar o patrimônio e facilitar repasses internacionais.
  • A operação também apontou uso das fintechs pela criminalidade para lavar dinheiro através da Faria Lima, centro financeiro de São Paulo.
  • Autoridades destacam que medidas do Banco Central e da Receita, incluindo maior identificação de movimentações, podem impedir recorrências semelhantes.

Seis fintechs foram alvo da operação Fluxo Oculto e movimentaram R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025, segundo a Polícia Civil, a Receita Federal e a ANP. A ação ocorreu após a deflagração da Carbono Oculto, que evidenciou a entrada do PCC na economia formal em São Paulo.

A operação cumpriu 59 mandados de busca e apreensão na última quinta-feira (29/5). Além das fintechs, foram vistoriados quatro fundos de investimento ligados ao esquema de lavagem de dinheiro envolvendo desvio de nafta, usado para adulterar combustíveis.

As investigações apontam que as fintechs funcionavam como bancos paralelos, inserindo recursos de origem ilícita no sistema financeiro. Os recursos passaram por uma complexa cadeia de fundos até chegar a imóveis, empresas e operações no exterior.

Segundo o Ministério Público de São Paulo, a movimentação de dinheiro ultrapassou o billhão de reais graças a estruturas que dificultam o rastreamento. Em coletiva, o secretário Robinson Barreirinhas ressaltou que a fintech é a porta de entrada do dinheiro sujo.

Os fundos de investimento seriam o elo para ocultar o patrimônio dos criminosos, com políticas que dificultam a identificação dos beneficiários. A cadeia termina com novos investimentos, aquisição de bens ou remessa ao exterior.

A investigação também mostrou que as seis fintechs substituíram outras do mesmo grupo utilizadas na Carbono Oculto e continuaram a operação mesmo após a primeira fase da ação. Contadores do PCC teriam sido alvo de interceptação de comunicações.

A operação sinaliza que o fenômeno de convergências entre organizações criminosas segue atual. A estrutura não estaria restrita a uma única facção, mas a múltiplos grupos que compartilham o mesmo espaço financeiro.

As fintechs, embora atuem como instituições de pagamento, não são bancos, o que implica regras distintas. Reguladores vêm aumentando o monitoramento para coibir operações com menor rigidez de transparência e rastreabilidade.

Entre as medidas em curso estão a equiparação do tratamento regulatório entre fintechs e bancos pela Receita, e a ampliação de controles do Banco Central sobre contas de pagamentos, com foco em prevenção à lavagem de dinheiro.

Analistas destacam que a recente classificação de PCC e CV como organizações terroristas pelos EUA pode tender a alterar o ambiente regulatório e o risco para empresas de diversos setores, incluindo fintechs.

A coletiva de imprensa desta quinta contou com a participação de órgãos como MP-SP, Receita Federal e ANP, que detalharam os autos e apontaram a atuação integrada das instituições para fechar brechas regulatorias.

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