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França revisará 70 mil casos de abuso infantil após erro judicial

França revisará setenta mil inquéritos por abusos a menores após falhas judiciais que contribuíram para a morte de Lyhanna, com prazo para resultados

Varias personas, en un memorial con flores por la muerte de Lyhanna, en Gers.
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  • França vai revisar oitenta mil casos de abusos a menores? No texto, são setenta mil casos; o ministro pediu revisão de sete dezenas de milhar de expedientes envolvendo abusos e violação a menores, em decorrência do caso Lyhanna Rameau.
  • O ministro Gérald Darmanin pediu mobilização geral dos magistrados e acelerar as apurações, com prazo até 14 de julho para inventariar denúncias que não geraram investigação ou instrução.
  • Ao todo, há cerca de três milhões de denúncias pendentes; quarenta mil a setenta mil dizem respeito a violações ou agressões sexuais contra menores, com foco nas que ainda envolvem vítimas menores.
  • O objetivo é depurar rapidamente os processos pendentes e iniciar procedimentos que protejam crianças, especialmente aqueles envolvendo denúncias já registradas.
  • O caso Lyhanna expõe falhas do sistema, com Barella tendo sido denunciado diversas vezes sem que as acusações resultassem em investigação, e o irmão dele também foi detido por crimes envolvendo uma menor.

O governo francês revê 70 mil casos de abusos e violências sexuais contra menores após falhas judiciais ligadas ao caso que tirou a vida de Lyhanna Rameau, menina de 11 anos. O Ministério da Justiça anunciou a medida nesta segunda-feira.

Lyhanna desapareceu há uma semana no sul da França e o corpo foi encontrado na quinta-feira. Jérôme Barella, 41 anos, é apontado como principal suspeito. Ele já havia sido denunciado diversas vezes por violação.

Nesta segunda, Barella foi detido novamente, após falhas que permitiram reincidência. O ministro Gérald Darmanin pediu mobilização geral dos magistrados para apurar prontamente o que deu errado.

Antes do prazo de 14 de julho, os procuradores devem mapear denúncias que não resultaram em instrução judicial nem em ações de investigação. O balanço inclui milhões de ocorrências pendentes, com 70 mil casos de violência sexual contra menores.

Darmanin afirmou ainda que as investigações devem priorizar denúncias em que as vítimas ainda são menores ou dependem de proteção especial. O ministro expôs o compromisso de esclarecer as cifras aos franceses.

Medidas e mobilização judicial

Fiscais-gerais de todo o país ficarão encarregados de esta verificação. A necessidade de mudanças rápidas foi defendida por ex-alto funcionário Bernard Cazeneuve, que pediu voluntários entre magistrados aposentados para ampliar a força de trabalho.

A crise envolve não apenas casos recentes. Em 2025, especialistas destacaram falhas históricas na escuta das vítimas e na continuidade de processos envolvendo abusos sexuais de menores.

Lyhanna era filha de uma família que estuda no mesmo colégio do suspeito. O caso reacende debates sobre supervisão de denúncias já registradas e a proteção de menores na rede de proteção.

Além disso, a detenção de Barella ocorreu pouco depois de novas informações sobre o irmão dele, detido sob acusações de violação de menor de 15 anos, sequestro e ameaças de morte, ocorridas entre 2007 e 2017.

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