- Tim Grattan-Kane, ex-chefe da investigação do caso Worboys, alerta que o sistema de justiça da Inglaterra e do País de Gales está “próximo de explodir” devido à sobrecarga e ao financiamento.
- Worboys, conhecido como o “assassino do táxi preto”, foi preso em 2008 após vítimas relatarem ter drinks com champanhe adulterado e terem sido abusadas.
- O sistema sofre com fechamento de tribunais e decisões demoradas do Serviço de Procuradoria da Coroa, com quase metade das cortes fechadas entre 2010 e 2019.
- Segundo Grattan-Kane, o spiking de bebidas está mais comum, possivelmente por maior registro de ocorrências e por ações de homens com má conduta, citando casos internacionais em contexto.
- A nova série da ITV, Believe Me, retrata as sobreviventes dos crimes de Worboys; Grattan-Kane ressalta que a resposta policial passou a valorizar mais as vítimas.
Tim Grattan-Kane, o oficial à frente da investigação do caso do “assassino de táxi” conhecido como Worboys, afirma que crimes semelhantes podem ocorrer hoje, em meio a um sistema de justiça sobrecarregado. Ele descreve o aparato judicial como prestes a colapsar diante de pressões e atrasos. Grattan-Kane, hoje aposentado, liderou a equipe que prendeu Worboys em 2008 após cruzar relatos de mulheres drogadas com champagne servida em táxis.
O ex-oficial ressaltou dificuldades estruturais, como a falta de recursos para a cena criminal, a demora de decisões do Ministério Público e o fechamento de tribunais, que reduziram a disponibilidade de julgamentos. Segundo ele, a Justiça enfrenta um déficit de suporte às vítimas e de trabalhadores devido a cortes de orçamento.
Além disso, Grattan-Kane comentou que o uso de drogas para facilitar agressões sexuais continua sendo um problema real. O tema ganha atualidade com o lançamento de uma produção da ITV sobre o caso Worboys, que relembra as testemunhas que contribuíram para a condenação.
Contexto adicional aponta casos comparáveis no exterior, como investigações envolvendo abuso de poder por profissionais. Grattan-Kane citou desafios recorrentes na atuação policial, inclusive no que diz respeito à confiança do público e à necessidade de respostas rápidas e adequadas do sistema de justiça.
A reportagem também traz exemplos de mudanças na abordagem às vítimas, com maior foco na assistência e no acolhimento durante o processo. Em paralelo, a obra dramatiza falhas anteriores da polícia metropolitana, que teriam abalado a investigação inicial, segundo o informante.
Outro marco citado pelo ex-oficial foi o assassinato de Sarah Everard por um policial em serviço, apontado como exemplo do uso indevido de confiança profissional em ações contra mulheres. Grattan-Kane afirma que correções foram implementadas, porém a discussão sobre eficácia permanece.
Ao comentar políticas públicas, ele observou que métricas de desempenho podem distorcer resultados, enfatizando a necessidade de equilíbrio entre números e qualidade de atendimento às vítimas. A narrativa busca, segundo ele, transformar a resposta policial em algo mais centrado na vítima.
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