- O Ministério Público da Bahia investiga Geddel Vieira Lima por suspeita de recebimento de propina de R$ 1 milhão ligada à fuga do líder do Primeiro Comando de Eunápolis, Dadá.
- Diálogos apreendidos em celulares usados na Operação Duas Rosas indicam que Geddel era chamado de “chefe” pelos interlocutores, incluindo o ex-deputado Uldurico Júnior e a ex-diretora do presídio Joneuma Silva Neres.
- A promotoria aponta que metade da propina de R$ 2 milhões para executar a fuga seria destinada a Geddel, conforme relatos de Joneuma. A operação foi deflagrada em 16 de dezembro de 2024.
- Joneuma Delator revelou que Uldurico Júnior favorecia regalias aos detentos do grupo de Dadá, como acesso a TVs, geladeiras, refeições diferenciadas e visitas especiais, além de encontros reservados com Geddel.
- Em 2017, a Polícia Federal encontrou R$ 51 milhões em dinheiro vivo em imóvel ligado a Geddel, usado como “bunker” para ocultação de propinas; o ex-ministro foi condenado pelo STF a 14 anos por lavagem de dinheiro.
O Ministério Público da Bahia investiga o ex-deputado federal Geddel Vieira Lima por suspeita de recebimento de propina de 1 milhão de reais em uma operação ligada à fuga de líderes do narcotráfico. A investigação envolve diálogos capturados em celulares apreendidos na ação Duas Rosas, realizada no dia 16 de maio.
Segundo o MP, Geddel é citado como o suposto “chefe” em conversas com o ex-deputado Uldurico Júnior e com a ex-diretora do presídio de Eunápolis, Joneuma Silva Neres. Ela firmou delação premiada após confessar participação na fuga de 15 detentos, incluindo o líder do Primeiro Comando de Eunápolis, em dezembro de 2024.
Detalhes da operação
A expressão rosa aparece como codinome de dinheiro nas mensagens apreendidas. O dinheiro seria parte de uma suposta propina para executar a fuga de Dadá, conforme apurado pelo Gaeco. Uldurico Júnior é apontado como operador da influência sobre a direção do presídio.
Joneuma informou que parte da propina, estimada em 2 milhões de reais, seria destinada ao suposto chefe e à liderança da organização. O MP instaurou um Procedimento Investigatório Criminal para apurar a ligação entre Geddel e o pagamento.
Contexto anterior
A investigação remonta a setembro de 2017, quando a Polícia Federal encontrou grande soma em dinheiro no apartamento atribuído a Geddel, que chegou a ser condenado pela Justiça. Peritos identificaram impressões digitais de Geddel nas notas, em operação que ficou marcada como uso do imóvel para ocultação de propinas.
Promotores destacam que a suposta rede de favorecimentos envolveu regalias a internos, como acesso a eletrodomésticos, festas e visitas especiais. A apuração aponta ainda contatos entre Geddel e interlocutores sobre o repasse dos valores.
Situação atual
A reportagem busca contato com Geddel e com Uldurico Júnior para esclarecimentos. Não houve conclusão sobre responsabilização imediata, e o MP segue colhendo informações para confirmar ou não a participação do ex-deputado na trama de propina vinculada à fuga de detentos.
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