- Nova evidência identifica a cela exata no DOI-Codi, em São Paulo, usada para simular o suicídio do jornalista Vladimir Herzog em 1975, apontando para local de tortura durante a ditadura.
- A descoberta foi feita pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) sob a pesquisa de Débora Neves, com apoio de antropólogos e historiadores, ajudando a esclarecer o local associado ao assassinato de Herzog.
- Rogério Sotili, diretor do Instituto Vladimir Herzog, afirma que, apesar de mais de cinco décadas, ainda não houve responsabilização completa pelos crimes da ditadura, especialmente no caso Herzog.
- Sotili vincula o novo fato ao debate no Supremo Tribunal Federal sobre a reinterpretar a Lei da Anistia, defendendo que crimes de lesa-humanidade não devem ser anistiados.
- O ministro Dias Toffoli está à frente de uma avaliação que pode alinhar o Brasil a resoluções internacionais sobre crimes contra a humanidade.
A descoberta de um local utilizado pela ditadura para simular o suicídio do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, ganha novas evidências e reacende o debate sobre impunidade dos crimes do regime. A pesquisa, conduzida pela Unifesp, identificou a sala do DOI-Codi em São Paulo, apontada como centro de tortura.
O estudo localiza precisamente o espaço ligado ao assassinato de Herzog, fortalecendo o que já era conhecido sobre o uso de instalações para os desaparecimentos forçados. Rogério Sotili, diretor do Instituto Vladimir Herzog, afirma que a evidência amplia o entendimento sobre o período e a necessidade de responsabilização.
Segundo Sotili, o tema envolve não apenas o passado, mas a consolidação da democracia. Ele cita o julgamento no STF sobre a Lei da Anistia e sustenta que crimes de lesa-humanidade não devem ser anistiados, conectando o caso Herzog a decisões recentes da Corte.
O integrante do Instituto vê sinais de avanço no STF, lembrando que a Corte já colocou altos oficiais de volta atrás das grades por crimes contra a democracia. A discussão atual envolve como alinhar a legislação brasileira às normas internacionais sobre crimes contra a humanidade.
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A reportagem mantém o foco em dados verificáveis e apresenta a relação entre a nova evidência, a responsabilização histórica e o futuro da democracia brasileira, sem incluir opiniões ou julgamentos. As informações são apuradas a partir de entrevistas e materiais oficiais divulgados pela Unifesp e pelo Instituto Vladimir Herzog.
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