- O contrato do governo com a Serco é acusado de ser “mesquinho e retaliatório” ao remover murais coloridos com mensagens motivacionais criados por prisioneiros das celas de custódia em tribunais da Inglaterra e do País de Gales.
- O relato se baseia em oitocentas visitas realizadas pelos Lay Observers, que acompanham as condições de custódia, totalizando quase 2 mil horas de monitoramento.
- Murais encomendados para deixar as áreas de custódia mais acolhedoras, muitas vezes subterrâneas, foram instalados pela GEOAmey e removidos pela Serco sob instruções de sua gestão; uma das citações atribuía Madonna.
- Em julho de 2023, o ex-ministro da Imigração, Robert Jenrick, ordenou que murais com personagens de desenhos fossem cobertos por considerar que eram muito acolhedores.
- O relatório aponta falhas sistêmicas contínuas na rede de custódia, incluindo longas viagens de detidos para audiências curtas e deslocamentos de pessoas com deficiência apenas para acessar um videolink.
O Serco, empresa contratada pelo governo, foi acusada de agir de forma pequena e retaliatória ao remover murais coloridos que davam mensagens motivacionais nas alas de custódia de tribunais. Os Murais, criados por detentos da HMP Doncaster, estavam nos espaços de custódia de várias cortes na Inglaterra e no País de Gales.
O relatório anual dos Lay Observers, que monitoram as condições de custódia e escolta, fundamenta a denúncia. O documento, com base em 759 visitas a suítes de custódia, soma quase 2 mil horas de monitoramento. O episódio envolvendo as obras ocorreu após determinação da Serco, com a instalação feita pela GEOAmey e retirada pela gestão da Serco.
Em julho de 2023, durante a gestão de Robert Jenrick no Ministério da Imigração, o governo ordenou que murais coloridos com personagens infantis fossem cobertos por considerar que eram acolhedores demais. O relatório cita também a remoção de obras com citações atribuídas a figuras públicas, incluindo uma frase associada a Madonna, das áreas de custódia do tribunal.
Os murais, conforme o relatório, estavam em ambientes supostamente sem iluminação natural, com o objetivo de tornar as áreas menos austere. O documento aponta que as mudanças ocorreram rapidamente após instruções da diretoria da Serco, e incluem obras com imagens de personagens como Mickey Mouse e Baloo, do filme Jungle Book.
Contexto e desdobramentos
O relatório indica falhas sistêmicas contínuas em todo o patrimônio de custódia, apesar de avanços em algumas frentes, como a criação de acomodações dedicadas para crianças em cerca de 20 tribunais. Em Swindon, por exemplo, houve casos de detidos em deslocamentos prolongados, com viagens de até 10 horas para audiências de nove minutos.
Observadores nacionais destacaram casos de dilatação de trajetos para atendimento de serviços básicos, incluindo situações em que pessoas com deficiência precisaram de deslocamentos longos apenas para acessos via videoconferência. Em julho de 2025, 44% das jornadas monitoradas envolvendo mulheres ocorreram com a presença de homens suspeitos de crimes sexuais ou violência doméstica, enquanto 38% das viagens com crianças envolveram a presença de um adulto.
O relatório também relata situações de atendimento inadequado, como um detento com apenas um dente que recebeu resistência para ajustes alimentares por receio de manchar a reputação institucional. Em algumas ocasiões, funcionários questionavam detainees com verbalizações agressivas, e havia mensagens sobre penalidades financeiras por atrasos no processamento de detidos.
David Whalley, presidente nacional dos Lay Observers, afirmou que é preciso transformar salvaguardas em prática diária para vulneráveis em custódia. Andrew Neilson, da Howard League for Penal Reform, considerou a remoção dos murais uma medida petty e vindictive diante de atrasos judiciais e más condições carcerárias. Mark Day, da Prison Reform Trust, pediu esclarecimentos sobre a retirada das obras.
A Serco respondeu que está comprometida com um ambiente seguro e acolhedor para os detidos e que trabalha com o HM Prison and Probation Service para melhorar a aparência das suítes de custódia. Já o Ministério da Justiça ressaltou a necessidade de ambientes seguros e o aprimoramento de salvaguardas, incluindo separações físicas durante transporte e a retirada de células que não atendem aos requisitos de saúde e segurança.
Entre na conversa da comunidade