- A Polícia Federal deflagrou a Operação Zona Cinzenta no Amapá, investigando investimentos de quase R$ 400 milhões do fundo de pensão dos servidores em títulos do Banco Master, aprovados em menos de vinte dias apesar de alertas de risco.
- O montante representa quase cinco por cento do patrimônio do fundo; dois membros do comitê de investimentos registraram ressalvas formais, enquanto pareceres do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União foram ignorados.
- O principal alvo, Jocildo Lemos, foi indicado por Davi Alcolumbre para presidir a Amprev, e o irmão do senador integra o conselho fiscal; o senador não é investigado e afirma não ter envolvimento nas decisões.
- A aprovação rápida dos investimentos sustenta a pressão sobre a criação de uma CPI do Banco Master em nível nacional, com a oposição afirmando que há tentativa de “operação abafa” por ligações com investigados.
- Em resposta, a PF cumpriu mandados na sede da Amprev e na residência de Lemos, houve apreensão de celular, e há apelos de afastamento de Lemos e abertura de CPI local; a Amprev afirma ser vítima e buscar ressarcimento.
A Polícia Federal deflagrou a Operação Zona Cinzenta nesta sexta-feira no Amapá, mirando o presidente da Amapá Previdência, Jocildo Lemos, indicado por Davi Alcolumbre. A apuração envolve investimentos de quase R$ 400 milhões feitos no Banco Master, sob suspeita de gestão fraudulenta.
A PF investiga três aplicações do fundo de pensão dos servidores do Amapá, aprovadas em menos de 20 dias apesar de alertas de risco. O montante representa quase 5% do patrimônio do fundo, com questionamentos sobre a concentração de recursos.
Jocildo Lemos era indicado por Alcolumbre para chefiar a Amprev, tendo sido tesoureiro em campanhas do senador. O irmão de Alcolumbre, Alberto, integra o conselho fiscal do fundo. O senador não é alvo de investigação, e a defesa afirma que não houve envolvimento nas decisões.
Investigação e desdobramentos
A aprovação rápida contraria pareceres do Ministério Público Federal e do Tribunal de Contas da União. Dois membros do comitê de investimentos votaram contra e registraram ressalvas formais, citando riscos de concentração. Uma única transação superou em mais de dez vezes o teto usual.
A operação ocorre em meio ao debate sobre a CPI do Banco Master. A oposição aponta atraso na abertura da comissão, vinculando-o a ligações com investigados no escândalo, enquanto o presidente da Câmara pode autorizar a abertura a nível nacional.
Reações e próximos passos
A PF cumpriu mandados de busca e apreensão na sede da Amprev e na casa de Lemos, com o celular dele apreendido. Um deputado amapaense solicitou afastamento de Lemos e a abertura de uma CPI local. A Amprev afirma ser vítima e busca ressarcimento dos valores.
A Amprev informou que vai colaborar com as apurações e reforçou que o caso envolve perdas potenciais em operações com o Banco Master. A defesa de Lemos não comentou novas informações neste momento.
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