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Colapso de banco expõe limites da garantia do FGC

Colapso do Banco Master expõe fragilidades do modelo do Fundo Garantidor de Créditos, elevando custos para bancos e clientes e restringindo crédito

Fachada do Banco Master na cidade de São Paulo, nesta terça-feira, 18 de novembro de 2025. — Foto: Werther Santana/Estadão Conteúdo
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  • O Banco Master foi liquidado, expondo fragilidades do modelo de expansão apoiado pela garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para CDBs e títulos de renda fixa.
  • O FGC já desembolsou cerca de R$ 37,2 bilhões e deve pagar aproximadamente R$ 51 bilhões a clientes e investidores afetados; 653 mil credores já receberam valores (84% dos beneficiários).
  • O FGC funciona como seguro, devolvendo até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ em cada grupo financeiro, com um teto total de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
  • Estima-se que cerca de 800 mil investidores tenham direito à garantia apenas por causa do Banco Master; as listas de credores do Will Bank e do Banco Pleno ainda não estão finalizadas.
  • Economistas e advogados discutem a necessidade de revisar o modelo de financiamento do FGC, com propostas como antecipar contribuições, cobrança adicional e uso do compulsório para recompor o fundo, para reduzir incentivos de risco.

Morando em Nova York, Marina de 27 anos investiu os R$ 10 mil que tinha para voltar ao Brasil. Sem experiência no mercado, recorreu ao ChatGPT em busca de orientação para iniciantes e escolheu um CDB do Banco Master.

Em novembro, o Banco Central decretou a liquidação da instituição. Marina soube que quase todo o seu dinheiro estava comprometido, mas conseguiu ressarcimento pelo FGC em menos de 24 horas. Outros clientes aguardam o reembolso.

Para especialistas, a quebra expõe fragilidades de um modelo de expansão utilizado por bancos, corretoras e fintechs. Esses agentes venderam CDBs com a garantia do FGC para investidores com pouco conhecimento de mercado.

O episódio abalou a confiança e levou alguns compradores a adotarem postura mais conservadora. Além disso, os bancos terão de recompor o fundo, o que pode impactar a concessão de crédito aos clientes.

Promessa de segurança

O FGC, criado em 1995, funciona como seguro para devolver até 250 mil reais por CPF ou CNPJ em cada grupo financeiro. Também há limite de 1 milhão de reais a cada quatro anos.

Economistas do IDEC apontam que o fundo passou a ser utilizado como argumento de venda para reduzir a percepção de risco de CDBs e outros títulos. Corretores destacavam o selo de proteção ao apresentar produtos.

Clientes que não recebiam recomendações recebiam destaque para os títulos do Master, que ofereciam rentabilidade acima do CDI, o que atraiu investimentos de parte do público mais conservador.

Entre os casos em análise, está a recuperação de recursos via FGC, que demorou meses para alguns credores. Em alguns casos, o ressarcimento ocorreu apenas após o período de liquidação, afastando a vantagem de taxas mais altas.

Perspectivas e impactos

Ao todo, o FGC já desembolsou milhares de milhares de reais para ressarcir clientes de Master, Will Bank e Banco Pleno. O valor total a ser pago aos credores pode chegar a dezenas de bilhões de reais.

Para estabilizar o sistema, o FGC avalia medidas como adiantar contribuições dos bancos, criar cobrança extra e negociar com o Banco Central o uso de parte do compulsório. Tais ações visam recompor o caixa do fundo.

Especialistas ponderam que a reforma do modelo de financiamento, com maior cobrança conforme risco, ainda é debatida. A ideia é evitar que a proteção do FGC estimule comportamentos de risco indevidos.

Para o mercado de crédito, a pressão é clara: com menos capital disponível, bancos e fintechs podem ficar mais cautelosos ao conceder crédito, elevando custos ou reduzindo oferta. O impacto, no entanto, recai sobre a economia como um todo.

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