- Lucas Moraes, 29 anos, é coordenador de gestão da Brave Asset e estrutura cerca de R$ 700 milhões em crédito direcionado ao agronegócio, em uma gestora que administra R$ 5 bilhões e reúne 10 mil investidores.
- O agronegócio passou a figurar em estratégias de crédito estruturado, com foco em dados, governança e diversificação de risco, conectando investidores a players do campo.
- A Brave Asset não investe em terras ou produção, e sim em recebíveis originados por indústrias e distribuidores de insumos agrícolas, com prazos de até 180 dias.
- As carteiras são pulverizadas para diluir risco, analisando cadeias de clientes e créditos de múltiplos produtores; já foram avaliadas operações superiores a R$ 1 bilhão em recebíveis.
- O setor cresce com instrumentos como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), com foco em governança, demonstrações financeiras e monitoramento regional.
O movimento de integração entre agro e mercado de capitais fica mais evidente com a atuação de Lucas Moraes. Aos 29 anos, ele coordena a gestão na Brave Asset e estrutura cerca de R$ 700 milhões em crédito voltado à cadeia do agronegócio. A Brave administra R$ 5 bilhões e reúne 10 mil investidores.
O objetivo é oferecer capital organizado para o setor rural, fortalecendo a relação com investidores institucionais, plataformas e family offices. O agronegócio representa cerca de 23% do PIB, segundo Cepea/Esalq/USP, e tem ganhado espaço em modelos de crédito estruturado.
Moraes é formado em economia pela ESALQ/USP, com passagens por pesquisa no Cepea e pelo mercado financeiro desde 2017. Ingressou na Brave Asset em 2020, quando a gestora administrava cerca de R$ 50 milhões; hoje, o patrimônio sobe para R$ 5 bilhões.
A estratégia da Brave não envolve participação direta em terras ou produção, e sim a aquisição de recebíveis de indústrias e distribuidores de insumos. Vendas com prazos de até 180 dias permitem liquidez às empresas e retorno aos investidores.
A gestão evita concentração em um único emissor. Em vez disso, prioriza carteiras pulverizadas, com créditos de diversas empresas da cadeia. Já foram avaliadas carteiras superiores a R$ 1 bilhão, com parte incorporada aos fundos.
Modelo de estruturação e governança
As operações são estruturadas via FIDCs, que organizam o fluxo de pagamentos conforme o calendário agrícola. O avanço dessas operações acompanha a expansão do mercado de capitais no agro, especialmente com CRAs e outras formas de funding privado.
Nos últimos anos, o crédito estruturado ampliou o acesso a funding privado, reduzindo dependência de linhas subsidiadas. Em cenários de juros elevados e restrições bancárias, esse caminho tem ganhado relevância.
Moraes aponta que a relação entre o mercado de capitais na cidade de São Paulo e o agro depende de governança, demonstrações financeiras claras e métricas de desempenho. Produtores precisam estruturar controles internos para acessar capital privado.
A compreensão das operações envolve critérios financeiros e monitoramento regional. A Brave mantém diálogo com agrônomos e operadores locais para acompanhar safras, preços de commodities e capacidade de pagamento ao longo do ciclo.
A empresa afirma baixa inadimplência histórica de carteiras ligadas ao agro. Para Moraes, o setor está em consolidação, com Brave funcionando como ponte entre investidores e economia real, abrindo espaço para crescimento com disciplina e gestão profissional.
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