- Na segunda edição de Império em Transe, o sociólogo Sérgio Amadeu discute o papel das big techs na operação de sistemas de classificação, rastreamento e identificação de alvos em tempo real.
- Empresas como Amazon, Google, Palantir e Oracle são apresentadas como parte da infraestrutura essencial da máquina militar dos Estados Unidos, indo além de fornecedoras de tecnologia.
- Amadeu afirma que “o complexo militar é baseado em dados” e destaca a integração entre satélites, drones, dispositivos no terreno, inteligência e equipamentos dos soldados.
- O debate aponta Gaza como exemplo extremo dessa transformação, com a prática de cruzar dados e perfis para localizar inimigos sendo associada a assassinatos.
- No Brasil, o tema levanta a questão da soberania digital, defendendo investimento público, fortalecimento de estatais de tecnologia e um Serpro capaz de desenvolver tecnologia própria, em vez de atuar como mero intermediário.
- O programa também destaca que o ciclo mensal de debates de CartaCapital entra em pausa em julho e retorna em agosto, com novas discussões sobre os Estados Unidos e a geopolítica.
Em debate realizado na segunda edição de Império em Transe, o sociólogo Sérgio Amadeu analisa o papel das grandes empresas de tecnologia na guerra contemporânea, citando Amazon, Google, Palantir e Oracle como parte da infraestrutura norte‑americana. O encontro discutiu como esses setores não são apenas fornecedores, mas elementos centrais de operações militares.
Amadeu afirma que o complexo militar se sustenta com dados. Com o avanço digital, há integração entre satélites, drones, dispositivos no terreno e serviços de inteligência, chegando a envolver o vestimento do soldado. A ideia é unificar tecnologia e decisão estratégica, segundo o pesquisador.
Na avaliação do analista, a prática leva a transformar a guerra em um sistema de vigilância e de localização de alvos, com base em cruzamento de dados e padrões de comportamento. Gaza é citado como exemplo extremo dessa lógica, apontando para o risco de assassinatos autorizados por dados.
Contexto no Brasil
A discussão também aborda o impacto doméstico da questão. A rede de governança digital seria alimentada por máquinas de empresas privadas, segundo Amadeu, o que, para ele, demonstra a fragilidade de soberania tecnológica. Ele defende investimento público e fortalecimento de empresas estatais de tecnologia.
O ex‑funcionário público cita o Serpro como possível núcleo de desenvolvimento tecnológico próprio. Atualmente, segundo o pesquisador, o órgão funciona mais como prestador terceirizado, e não como criador de soluções estratégicas.
Sobre o ciclo de debates
Império em Transe é o ciclo mensal de debates da CartaCapital, realizado com a PUC‑SP, o INEU, o GECI, a TV PUC‑SP e a livraria Tapera Taperá. A próxima edição ainda não tem data anunciada, com pausa prevista para julho e retorno em agosto.
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