- Washington avalia que a Síria poderia facilitar ataques “mais cirúrgicos” contra o Hezbollah no Líbano, conforme declaração de Donald Trump.
- Em março, os EUA discutiram uma possível incursão síria no leste do Líbano; Damasco resistiu, temendo agravamento de tensões políticas e sectárias.
- A ideia agrada a fontes sírias que veem nisso uma oportunidade de reduzir a influência do Hezbollah e de justificar maior cooperação com os EUA contra redes iranianas.
- Entretanto, uma intervenção síria poderia fortalecer o Hezbollah, ao apresentá-lo como defesa contra intervenção estrangeira, além de trazer riscos à própria Síria e à estabilidade no Líbano.
- Os EUA devem evitar incentivar uma mobilização síria além da fronteira e, em vez disso, apoiar ações sírias contra contrabando e armas por meio de mecanismo de segurança com Israel e parcerias regionais, como a Jordânia.
Don’t Invite Syria Back Into Lebanon revisa a possibilidade de Damascus atuar contra Hezbollah no Líbano, sob o ângulo de uma ofensiva mais “cirúrgica” defendida por Donald Trump. A ideia surge em meio a discussões sobre o papel da Síria na região e o apoio aos rivais do grupo baseado no Irã.
Segundo relatos, em março os EUA discutiram uma possível incursão síria no leste do Líbano. Na época, Damasco relutou, temerosa de ampliar confrontos regionais e de acentuar tensões sectárias no próprio território.
Contexto regional e interesses de Damasco
Commentadores sírios associaram as declarações de Trump a um interesse de aumentar o papel de seu país no Líbano. O governo sírio tem motivos para conter Hezbollah, que apoia o regime de Assad, utiliza território sírio para transferências de armas e abriga oficiais ligados a esse período.
A ideia aparece num momento em que autoridades sírias denunciam a falta de cooperação libanesa no enfrentamento ao grupo. Um condutor político seria também mostrar a disposição de Washington em afrouxar sanções, apresentando sinais de alinhamento com interesses sírios.
Riscos de uma intervenção cruzar fronteiras
Entretanto, defender uma ação síria no Líbano pode resgatar o argumento do Hezbollah de que o arsenal existe para proteger o país de interferência externa. A incursão poderia reabrir memórias da guerra civil e aumentar receios de setores que resistem ao grupo.
Além disso, a presença de tropas sírias no Líbano pode colocar as próprias forças em situação vulnerável, num momento em que a Síria precisa manter a integridade territorial dentro de casa. A operação também poderia agravar tensões históricas entre comunidades religiosas.
Histórico de influência síria no Líbano
Entre 1976 e 2005, a Síria teve papel decisivo na política libanesa, com tropas no território e pressão política sobre presidências. A cooptação de adversários e prisões marcou esse período, levando a perdas de legitimidade para alguns setores locais.
Críticos lembram que, mesmo com mudanças recentes, a narrativa de uma intervenção síria ainda evoca décadas de domínio. O medo é que o movimento militar traga custos sociais e humanitários para comunidades que já vivem tensões.
Implicações para Hezbollah e para a região
Para Hezbollah, uma operação síria poderia servir como justificativa para manter o arsenal sob o pretexto de defesa externa. O grupo já utiliza a ideia de “resistência” para justificar seus armamentos e manter suporte entre certos setores.
O apoio sírio atual a autoridades libanesas e a Asaeda de Assad é contestado por líderes regionais e por parte da população local. Em áreas como o norte do Líbano, a reação à presença militar é complexa e varia por comunidade.
Caminhos alternativos para cooperação
Especialistas sugerem que Washington pode trabalhar com Damasco sem cruzar fronteiras para evitar riscos de escalada. Uma via seria fortalecer mecanismos de segurança entre Síria e Israel para monitorar trajetos de armas e evitar choques.
Outra alternativa é ampliar a cooperação com parceiros regionais, como a Jordânia, para desenvolver capacidades técnicas de controle fronteiriço e neutralizar redes de contrabando ligadas ao Hezbollah.
Conclusão prospectiva
Autoridades norte-americanas destacam que a eficácia de cooperação síria depende de manter a contenção entre fronteiras. O objetivo é desmantelar redes de armas, sem abrir espaço para uma escalada que afete Síria, Líbano e toda a região.
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