- O relatório anual do Instituto Internacional de Pesquisa sobre Paz de Estocolmo (Sipri) aponta que nove países possuem armas nucleares e vêm modernizando seus arsenais, elevando o potencial de dissuasão.
- Até janeiro de 2026, existem cerca de 12.187 ogivas nucleares no mundo, com aproximadamente 9.745 mantidas em depósitos para uso possível.
- Dentre as ogivas, cerca de 4.012 estão desplegadas em mísseis, aeronaves ou armazéns; Rússia e Estados Unidos concentram mais de 1.700 cada, com leve aumento em relação ao ano anterior.
- China registra cerca de 620 ogivas, com a maioria armazenada longe de silos de lançamento; o país exibiu novos sistemas de lançadores em eventos recentes.
- O Sipri ressalta que, quase quatro décadas após a Guerra Fria, países dependem novamente de armamento nuclear como instrumento de poder e que o ritmo de renovação de sistemas de lançamento aumenta os riscos de erro de cálculo e escalada.
Durante uma ofensiva de artilleria contra a Ucrânia, Rússia utilizou dois mísseis Oréshnik. O ataque ocorreu na madrugada de 24 de maio, visando Kiev e áreas próximas. A operação resultou em quatro mortos e cerca de cem feridos. A carga era convencional, mas o Oréshnik pode transportar uma ogiva nuclear, conforme a descrição oficial.
O relatório anual do Sipri mostra que os nove Estados com arsenal nuclear melhoraram e modernizaram seus estoques no último ano. Entre eles, destacam-se os avanços russos com Oréshnik, e os Estados Unidos com o LGM-35A Sentinel, o submarino da classe Columbia e o bombardeiro B-21 Raider. São exemplos de uma nova atualização de capacidades de dissuasão atômica.
Contexto internacional
A análise aponta que, quase quatro décadas após a Guerra Fria, países dependem novamente das armas nucleares como instrumento de poder. O estudo alerta para maior risco de erro de cálculo e escalada, com o aumento de conflitos no mundo e guerras envolvendo potências nucleares.
O Sipri registra 12.187 ogivas no mundo até janeiro de 2026, com 4.012 desplegadas ou prontas para uso. Russia e EUA concentram a maior parcela. Cerca de 2.100 a 2.200 ogivas estão em estado de alerta máximo. Observa-se queda global no total, graças ao desmantelamento continuado, mas o ritmo preocupa por novas plataformas de lançamento.
Cenário geopolítico
Na prática, a renovação dos lançadores e sistemas de armas reforça a chamada corrida nuclear. China amplia seu arsenal para 620 ogivas, com grande parte em armazéns longe de silos. A retórica de dissuasão tem ganhado espaço, especialmente após o fim do Tratado de Redução de Armas Estratégicas entre EUA e Rússia.
A região europeia permanece sob vigilância. Países aliados da Otan mantêm capacidade nuclear para dissuadir, com França e Reino Unido operando arsenais estratégicos. A comunicação entre Washington e Moscou sobre controle de armas se mantém sem acordo público desde fevereiro, com pressão para negociações multilateral envolvendo China.
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