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Como rastreamos a frota chinesa de mineração em águas profundas

Análise de cinco anos de dados de navegação revela que oito navios chineses passam a maior parte do tempo fora de áreas reguladas pela Autoridade Internacional do Fundo do Mar (ISA), sugerindo uso dual de pesquisa e vigilância

Model of Jiaolong, one of China’s biggest manned submersibles, at the Five-Year Achievements Exhibition. Image by N509FZ via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).
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  • Em fevereiro de 2025, a China assinou acordo com o governo de Cook Islands para pesquisa e exploração em mineração em alto-mar, buscando passo semelhante com Kiribati.
  • A China detém o maior número de contratos da Autoridade Internacional dos Oceanos (ISA) e é o maior contribuinte financeiro, além de operar a maior frota de pesquisa oceânica.
  • Análise de cinco anos de dados de MarineTraffic identificou oito navios ligados à mineração em alto-mar, entre mais de quarenta na frota chinesa.
  • Esses navios passaram 814 dias operando em áreas licenciadas ou reservadas pela ISA, mas apenas 6,4% do tempo total ocorreu dentro dessas zonas de exploração.
  • Foram observadas atividades como permanência em zonas econômicas exclusivas de outros países ou AIS desligado; o tema também envolve impactos ambientais, com apoio de plataformas como Deep Sea Mining Watch e Starboard Maritime Intelligence.

A investigação acompanha o que envolve a frota chinesa de mineração em alto-mar. O foco não era inicial, mas o tema ganhou fôlego ao longo de um ano de parceria entre veículos de imprensa e pesquisadores. A questão central: mineração vs uso militar.

Em fevereiro de 2025, a China assinou acordo com o governo das Ilhas Cook para pesquisa e exploração de mineração em alto-mar. Ao mesmo tempo, buscava trato semelhante com Kiribati, ampliando influência na região do Pacífico. A ISA regula essas atividades.

A China detém o maior número de contratos de exploração sob a ISA, ligada à ONU, e investe na maior frota oceânica do mundo. A matéria questiona se o interesse é puramente comercial ou também geopolítico, com parte da frota sob vigilância estratégica.

Dados e metodologia

A equipe uniu cinco anos de dados do MarineTraffic, registros públicos e pedidos de informações. O grupo identificou oito navios-chave entre mais de 40 na frota de pesquisa em exploração da China. O conjunto analisou trajetos, visitas a portos militares e períodos sem AIS.

A partir de mapas em QGIS e da plataforma Deep Sea Mining Watch, verificou-se que, nos últimos cinco anos, os oito navios passaram 814 dias em áreas licenciadas ou reservadas pela ISA. Contudo, apenas 6,4% desse tempo ocorreu dentro dessas zonas.

Casos de interesse incluíram estadas na EEZ de outros países e eventos de AIS desligado, indicativos de possível observação ou atividade não declarada. Mapeamentos foram validados por mais de uma dúzia de especialistas.

Perspectivas e impactos

A apuração também avaliou impactos ambientais da mineração em alto-mar, com foco em sonar, habitats do leito e espécies profundas. Especialistas destacaram riscos potenciais que podem perdurar por longos períodos, mesmo após a atividade.

A reportagem enfatiza a necessidade de interpretação cuidadosa dos dados entre pesquisa científica e coleta de inteligência militar. A equipe consultou mais de uma dúzia de especialistas para checagens e novas hipóteses.

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