- Em fevereiro de 2025, a China assinou acordo com o governo de Cook Islands para pesquisa e exploração em mineração em alto-mar, buscando passo semelhante com Kiribati.
- A China detém o maior número de contratos da Autoridade Internacional dos Oceanos (ISA) e é o maior contribuinte financeiro, além de operar a maior frota de pesquisa oceânica.
- Análise de cinco anos de dados de MarineTraffic identificou oito navios ligados à mineração em alto-mar, entre mais de quarenta na frota chinesa.
- Esses navios passaram 814 dias operando em áreas licenciadas ou reservadas pela ISA, mas apenas 6,4% do tempo total ocorreu dentro dessas zonas de exploração.
- Foram observadas atividades como permanência em zonas econômicas exclusivas de outros países ou AIS desligado; o tema também envolve impactos ambientais, com apoio de plataformas como Deep Sea Mining Watch e Starboard Maritime Intelligence.
A investigação acompanha o que envolve a frota chinesa de mineração em alto-mar. O foco não era inicial, mas o tema ganhou fôlego ao longo de um ano de parceria entre veículos de imprensa e pesquisadores. A questão central: mineração vs uso militar.
Em fevereiro de 2025, a China assinou acordo com o governo das Ilhas Cook para pesquisa e exploração de mineração em alto-mar. Ao mesmo tempo, buscava trato semelhante com Kiribati, ampliando influência na região do Pacífico. A ISA regula essas atividades.
A China detém o maior número de contratos de exploração sob a ISA, ligada à ONU, e investe na maior frota oceânica do mundo. A matéria questiona se o interesse é puramente comercial ou também geopolítico, com parte da frota sob vigilância estratégica.
Dados e metodologia
A equipe uniu cinco anos de dados do MarineTraffic, registros públicos e pedidos de informações. O grupo identificou oito navios-chave entre mais de 40 na frota de pesquisa em exploração da China. O conjunto analisou trajetos, visitas a portos militares e períodos sem AIS.
A partir de mapas em QGIS e da plataforma Deep Sea Mining Watch, verificou-se que, nos últimos cinco anos, os oito navios passaram 814 dias em áreas licenciadas ou reservadas pela ISA. Contudo, apenas 6,4% desse tempo ocorreu dentro dessas zonas.
Casos de interesse incluíram estadas na EEZ de outros países e eventos de AIS desligado, indicativos de possível observação ou atividade não declarada. Mapeamentos foram validados por mais de uma dúzia de especialistas.
Perspectivas e impactos
A apuração também avaliou impactos ambientais da mineração em alto-mar, com foco em sonar, habitats do leito e espécies profundas. Especialistas destacaram riscos potenciais que podem perdurar por longos períodos, mesmo após a atividade.
A reportagem enfatiza a necessidade de interpretação cuidadosa dos dados entre pesquisa científica e coleta de inteligência militar. A equipe consultou mais de uma dúzia de especialistas para checagens e novas hipóteses.
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