- Confiança europeia nos EUA atinge 11% dos europeus em 15 países, queda após 16% há seis meses e 22% em novembro de 2024.
- Europeus associam Trump à necessidade de autossuficiência e mantêm visão de que a relação com os EUA não deve desmoronar, mas duvidam da defesa em caso de ataque.
- No segundo mandato, Trump impôs tarifas a países europeus, sinalizou retirar a Otan e chegou a falar de controlar a Groenlândia; EUA passaram a anunciar retirada de tropas da Alemanha.
- Sobre Ucrânia, a maioria apoia o país, porém há cautela com a adesão à UE e com o envio de tropas; na área energética, a maioria rejeita importação de combustíveis fósseis russos.
- A maioria dos europeus apoia mais gastos com defesa (variação de quatro pontos percentuais em relação ao ano anterior) e 47% apoiam endividamento coletivo da UE para financiar defesa; também há apoio à redução da dependência de armamentos dos EUA.
O anúncio de que a confiança europeia nos Estados Unidos está em seu nível mais baixo desde o retorno de Donald Trump à Casa Branca chamou a atenção de observadores europeus. Dados de uma pesquisa divulgada pelo Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR) indicam que apenas 11% dos europeus em 15 países veem os EUA como aliado atualmente.
Essa taxa é uma queda expressiva: 16% há seis meses e 22% em novembro de 2024, quando Trump venceu a eleição pela segunda vez. O levantamento ressalta que os europeus têm uma leitura firme sobre o caráter de Trump, ao mesmo tempo em que não esperam que a relação com os EUA se desmorone diante dos atuais desafios.
Mesmo com a queda, a maioria não acredita que os EUA defenderiam a Europa em caso de ataque. Por outro lado, há expectativa de melhoria nas relações transatlânticas após a saída de Trump do cargo. O estudo revela uma visão de autossuficiência europeia cada vez mais presente.
Tensões no segundo mandato
Durante o segundo mandato, Trump impôs tarifas a países europeus e sinalizou a possibilidade de retirar os EUA da OTAN por considerar insuficientes os gastos europeus com defesa. O republicano também indicou a intenção de assumir o controle da Groenlândia, território da Dinamarca e parte de questões ligadas à UE.
Recentemente, os EUA anunciaram o início de retirada de tropas estacionadas na Alemanha, medida associada a disputas entre Trump e o chanceler alemão. Em Davos, a presidente da Comissão Europeia associou o enfraquecimento dos laços com os EUA à necessidade de construir uma nova forma de independência europeia.
Visões sobre a Ucrânia
O presidente americano tem atribuído parte da responsabilidade pela invasão da Ucrânia a Kiev e buscado aproximação com o presidente russo, Vladimir Putin. A pesquisa aponta apoio majoritário dos europeus à Ucrânia, ainda que com cautela quanto à adesão à UE e ao envio de tropas ao conflito.
No campo energético, a maior parte dos entrevistados reconhece a gravidade da crise, mas é contrária à importação de combustíveis fósseis russos. O estudo aponta que a Europa quer reduzir dependências externas, mantendo foco em fontes próprias e diversificadas.
Mais gastos com defesa
Em comparação com o ano anterior, o apoio ao aumento dos gastos com defesa ganhou força entre os europeus. Cerca de metade dos entrevistados também se mostrou favorável a endividamento coletivo da UE para financiar projetos de defesa.
Paralelamente, há apoio à redução da dependência europeia de armamentos dos EUA, com preferência por fortalecer a indústria bélica europeia. A pesquisa foi realizada em maio de 2026 junto a adultos na Áustria, Bulgária, Dinamarca, Estônia, França, Alemanha, Hungria, Itália, Holanda, Polônia, Portugal, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido.
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