- Solana afirmou que o Zapatero que conhece não se parece com o descrito no informe judicial e disse sentir muita tristeza pela situação.
- Ele lembrou que Zapatero governou com leis importantes para a sociedade e que houve uma decisão que pôs fim à atuação da ETA.
- A entrevista aconteceu após Solana receber, pela União Europeia, o título de Miembro Honorable; ele é presidente do EsadeGeo e do Museo del Prado.
- Solana mencionou que os ataques de 11 de setembro tiveram impacto global, influenciaram relações EUA-Rússia e contribuíram para o declínio do multilateralismo sob a gestão de Donald Trump.
- Disse que a Europa precisa de instituições respeitadas, que a Espanha continua europeísta e destacou a importância da Inteligência Artificial para o futuro.
Javier Solana, ex-ministro de Relações Exteriores da era Felipe González e ex-alto representante da UE para a Política Externa, concedeu entrevista ao EL PAÍS no dia 13 de maio, em Madrid. Ele comenta o futuro global em tempos conturbados e o que classifica como o “caso Zapatero”.
Solana afirma que o Zapatero que conhece não se parece com o que aparece no relatório judicial. Diz sentir tristeza e aguarda a resposta de José Luis Rodríguez Zapatero, destacando o governo de leis e ações que combateu a ETA.
A entrevista teve origem no reconhecimento recebido por Solana pela União Europeia, ao lado de figuras como Angela Merkel, na categoria de Membro Honorário. Ele dirige o EsadeGeo e preside o Museo del Prado, com foco na ciência do futuro e IA.
Contexto internacional e mudanças de cenário
Solana relembra os ataques de 11 de setembro de 2001, ressaltando impactos profundos nos EUA e nas relações com Rússia. Observa que o multilateralismo ganhou dificuldades com a liderança de Donald Trump, sugerindo que o mundo pode mudar sob nova ordem.
Sobre o papel da UE, ele comenta que a ausência de árbitro global é preocupante e que a atuação europeia perdeu força em comparação com décadas anteriores. Destaca a importância de instituições respeitadas neste momento.
Europa, EUA e IA no centro da pauta
O ex-líder europeu cita a necessidade de regulação da IA e o papel de grandes redes de tecnologia, indicando que avanços tecnológicos trazem desafios regulatórios significativos. Enfatiza que a relação entre EUA e Europa deve se adaptar a esse novo contexto.
Solana comenta a situação política na Espanha, elogiando o histórico de integração europeia do país, mas expressa preocupação com o descolamento entre governo e oposição. Avalia que o país permanece com economia sólida, apesar das tensões internas.
Trajetória e lições de liderança
Ao falar de sua própria atuação, Solana destaca o respeito internacional que recebeu, especialmente durante os anos de governo de González. Rememora que a UE realizou operações de paz e garantiu passagem de fronteiras em Gaza e no Congo.
Sobre o futuro, ele afirma que Europa precisa dar o seu melhor, enfrentar incertezas políticas e continuar promovendo o diálogo. Aponte que o mundo não voltará a ser o mesmo após as mudanças recentes.
Cultura, ciência e visão pessoal
Solana reforça a importância da cultura e da ciência para a sociedade, mantendo seu papel ativo no Museu do Prado. Descreve a paixão pela IA como motor de avanços na medicina e na biologia, destacando o valor da curiosidade científica.
Ao encerrar, ele ressalta a amizade com Felipe González e a disposição de colaborar com Pedro Sánchez quando chamado. Revela satisfação com a própria trajetória, que o levou a uma atuação internacional fora da política formal.
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