- Lula entregou a Trump, por escrito em inglês, uma série de propostas e documentos sobre parceria no combate ao crime organizado e o histórico de ações do governo brasileiro, incluindo a Operação Carbono Oculto.
- Os papéis também detalhavam defesa do Brasil contra acusações de comércio desleal ligadas ao Pix e ao desmatamento, com menção à média de tarifas de 2,7% sobre os EUA.
- Havia ainda um memorial sobre o acordo nuclear com o Irã feito em 2010 pelo Brasil e pela Turquia, que o governo Obama não apoiou.
- Diplomatas brasileiros avaliam que, na ausência de clareza de Trump, subordinados de segundo e terceiro escalão podem avançar com agendas consideradas hostis ao governo Lula.
- Após a reunião, houve moratória de 30 dias para novas tarifas e otimismo cauteloso sobre a relação pessoal entre Lula e Trump, apesar de incertezas sobre o alinhamento político da nova administração americana.
Em Washington, assessores de Lula entregaram a Trump uma documentação detalhada sobre temas bilaterais. A reunião, realizada na sede do Executivo americano, durou cerca de três horas, e o objetivo foi apresentar propostas do Brasil em inglês.
O material trazia uma parceria no combate ao crime organizado, informações sobre a Operação Carbono Oculto e defesas às acusações de comércio desleal, incluindo a tributação sobre o Pix e o desmatamento. Também listava autoridades brasileiras com restrições de entrada nos EUA.
Lula informou ter entregado a Trump os documentos com todas as propostas escritas, para que o presidente tenha clareza do que o Brasil busca. O encontro ocorreu após uma ligação entre as duas lideranças na semana anterior.
Contexto da reunião
Diplomatas brasileiros indicam que, na ausência de alinhamento com o presidente, subordinados de Washington podem favorecer pautas hostis ao governo Lula. A relação entre o bolsonarismo e o trumpismo é citada como elemento de influência no Beineiro.
Ainda conforme a avaliação, não houve menção a ações que vieram a público como a classificação de facções brasileiras como terroristas, e nem menção ao Pix durante o encontro. Avanços nesse campo passaram por Tesouro e Departamento de Estado, segundo fontes.
O governo brasileiro nota que a reunião sinaliza tentativa de abrir canal direto com Trump, supostamente para contornar interlocutores que, na visão de Lula, poderiam distorcer ou atrasar agendas brasileiras. A moratória de 30 dias para novas tarifas foi confirmada pelos envolvidos.
Perspectivas e desdobramentos
Em discurso recente, autoridades brasileiras destacaram a importância do diálogo direto entre Planalto e Casa Branca para temas sensíveis. Observadores ressaltam que o contexto internacional, como a tensão com o Irã, pode influenciar a condução de pautas bilaterais.
Não há confirmação de mudanças rápidas na posição americana sobre tarifas ou classificação de organizações. A expectativa é de que haja monitoramento cuidadoso de eventuais medidas e de possíveis novos contatos entre as equipes de Lula e Trump nas próximas semanas.
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