- O chanceler alemão Friedrich Merz emitiu uma resposta à ofensiva dos EUA e de Israel contra o Irã, condenando o regime iraniano e destacando que a violência não pode ser aceita, ao mesmo tempo em que afirma o objetivo de frear o armamento nuclear e balístico do Irã.
- Merz afirmou que os critérios do direito internacional terão efeito limitado e que ações europeias, incluindo da Alemanha, têm tido pouco impacto, ressaltando que não está disposto a agir com força militar se não houver interesse fundamental.
- O discurso marca uma guinada em relação ao passado de Angela Merkel, defendendo maior autonomia estratégica europeia e aumento substancial dos gastos de defesa, com planos de até 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2030 e potencialmente 5% no futuro.
- O presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou uma nova política de dissuasão preventiva com o uso temporário de armas nucleares francesas em território de outros países da União Europeia, um movimento alinhado com o esforço de Merz para reforçar a defesa europeia.
- Pesquisas apontam aceitação de maior gasto com defesa pela população alemã, mas resistência em aceitar o recrutamento obrigatório; o debate sobre possível reintrodução do serviço militar permanece sob discussão.
Merz sinalizou uma mudança na postura alemã diante da política externa. Em meio às ofensivas dos EUA e de Israel contra o Irã, o chanceler Friedrich Merz divulgou um posicionamento que não critica a ofensiva sob a lei internacional, mas enfatiza o endurecimento de ações contra o regime iraniano. Ele afirmou alívio com o fim do regime religioso e reiterou que Berlim apoia a meta de impedir o armamento nuclear e balístico iraniano.
O chanceler destacou que os padrões do direito internacional teriam efeito limitado diante da situação, citando que apelos da Europa, incluindo a Alemanha, condenações e sanções não teriam produzido resultados suficientes. A declaração sugere uma visão mais realista sobre uso da força e alinhamento com os EUA e Israel, diferindo de abordagens de governos europeus anteriores.
Essa posição marca uma mudança em relação ao legado de Angela Merkel, que promovia a primazia do direito internacional e, em muitos momentos, evitou ações militares significativas. Merkel também beneficiou-se de menor dependência de defesa por parte da economia alemã e de fontes de energia externas durante o seu governo.
Reconfiguração europeia e defesa
A prática de Merz em dialogar com outros líderes já repercute na política de defesa da Alemanha. Em Munique, ele afirmou que o chamado “orden internacional” está fragilizado e precisa ficar mais claro que o acordo não existe mais em sua forma anterior. O comentário sinaliza a busca por autonomia estratégica europeia e maior investimento militar.
Na prática, Merz tem pressionado por elevamento do gasto com defesa. O plano prevê financiamento de defesa próximo a 580 bilhões de euros, com meta de 3,5% do PIB até 2030 ou até 5% no futuro, conforme debate sobre orçamento e dívida pública. A iniciativa envolve suspensão de restrições orçamentais aprovadas anteriormente.
Panorama político e recepção
Além das propostas de gasto, Merz sinaliza uma cooperação mais estreita com aliados europeus, incluindo uma possível extensão de detecção nuclear francesa ao continente. A já anunciada estratégia de “deterrência avançada” da França envolve implantação temporária de armas nucleares em outros países da UE, em um move que pode redesenhar o cenário de segurança europeu.
O governo alemão busca, ainda, ampliar a capacidade de defesa sem prejudicar a coesão da União Europeia. Pesquisas indicam apoio público maioritário ao aumento de gastos, mas ressalvam relutância em defesa caso haja convocação para combate imediato. A discussão sobre recrutamento e conscrição também ganha força no debate público.
O futuro político de Merz depende de eleições estaduais neste ano, em meio a um cenário de apoio misto. A complexa coalizão com o Partido Social-Democrata oferece espaço limitado para reformas profundas, enquanto a oposição observa o crescimento de partidos de direita. O cenário indica que a agenda de “realismo principled” pode encontrar resistência, mesmo diante de mudanças de ordem internacional.
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