- Lula discute com assessores como recusar o convite de Trump ao Conselho da Paz de Gaza sem causar atrito com os EUA, fortalecendo os laços com Xi Jinping.
- China e Rússia estudam a proposta, mas não apoiam substituição da ONU; a França já disse que não participará.
- Xi Jinping pediu a Lula, em telefonema no dia 23, que se opusesse ao Conselho e prometeu maior apoio, com atuação coordenada pelo Sul Global.
- Lula conversou com Trump em 26 e deve encontrar o norte-americano em Washington, em fevereiro, mantendo a articulação para declinar do convite.
- O governo propôs limitar o Conselho a Gaza, com assento para a Palestina, e defender reforma abrangente da ONU; Macron e Lula criticaram a iniciativa.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva discute com assessores como recusar o convite de Donald Trump para integrar o Conselho da Paz, sem antagonizar Washington. A decisão fortalece a linha pró-ONU alinhada a Xi Jinping, segundo fontes oficiais.
O Conselho da Paz foi criado por Trump visando atuar em Gaza e em outros conflitos, com a ideia de, em tese, substituir a ONU. Países como China e Rússia analisam a proposta, com cautela, para não abrir mão do papel da ONU no cenário global.
Diplomacia brasileira e o eixo ONU
O governo brasileiro afirma que Lula defende a centralidade da ONU e propõe que o Conselho da Paz trate apenas de Gaza, com assento para a Palestina. A reforma da ONU, inclusive a ampliação do Conselho de Segurança, é enfatizada como prioridade.
Xi Jinping telefonou para Lula no dia 23, estimulando postura contrária ao Conselho da Paz e prometendo apoio mútuo. O objetivo é manter Brasil e China como forças favoráveis à governança global baseada na ONU.
Macron e Lula conversaram na terça-feira (27) sobre o tema. Os dois condenaram a ideia de um órgão paralelo aos mecanismos da ONU e defenderam o fortalecimento da organização, respeitando mandato do Conselho de Segurança.
Lula também tratou de relações com o Mercosul e a UE, ressaltando benefícios de acordos bilaterais, especialmente com a França, e a importância de cooperação em defesa, ciência, tecnologia e energia. O diálogo foi positivo para avanços em 2026.
Agenda com Brics e Palestina
Antes de responder a Trump, Lula manteve contatos com líderes do Brics, incluindo Narendra Modi, da Índia, para consolidar posição conjunta. Modi confirmou apoio à reforma da ONU e ao diálogo sob a égide multilateral.
O presidente brasileiro conversou com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, sobre reconstrução de Gaza. O tema já havia sido discutido com Erdogan, na véspera, ampliando o espectro de alianças regionais.
Especialistas divergem sobre o custo diplomático da recusa. Um analista destaca que o Brasil busca evitar desalinhar-se dos EUA, mantendo, porém, o compromisso com a ONU e com regras do direito internacional.
Segundo outro especialista, a articulação com a China reforça a posição brasileira sem abandonar o eixo multilateral. O Brasil passa a atuar como elo entre Washington e Pequim, minimizando riscos de rupturas diplomáticas.
Cenário e desdobramentos
A avaliação interna é de que aceitar ou não o convite revela dilemas estruturais da política externa brasileira. Aceitar poderia gerar desgaste interno, enquanto recusar pode acirrar tensões com os EUA em meio a uma disputa entre potências.
Analistas enfatizam que o Brasil precisa manter espaço de manobra entre as grandes potências, valorizando o protagonismo regional sul-americano e a busca por reformas para uma governança global mais inclusiva.
Doloroso para o Brasil é o risco de a narrativa favorecer uma oposição ideológica aos EUA caso a decisão seja mal interpretada. O governo trabalha para enquadrar a recusa como defesa de normas e da ONU.
O tema, portanto, continua em pauta no Planalto, com a expectativa de que Lula siga articulando com Brics e aliados antes de qualquer decisão sobre o convite de Trump, previsto para ser debatido na eventual visita a Washington.
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