- O terceiro aumento de juros do Banco Central atingiu quem financia a casa e quem quer comprar pela primeira vez.
- Em Sydney e Melbourne, os valores dos imóveis caíram 0,6% em abril, com quedas de 0,9% e 1,5% nos três meses anteriores, respectivamente, ainda que os imóveis mais baratos permaneçam em alta.
- Os 25% mais baratos dos imóveis, onde muitos compradores de primeira casa buscam, subiram 0,5% em Melbourne e 1,5% em Sydney em abril, puxados pelo esquema de garantia de depósito que permite entrada com 5%.
- A capacidade de empréstimo costuma cair mais rápido que os preços: o comprador médio de primeira casa pegou cerca de $607 mil, e cada alta de juros pode reduzir o limite de financiamento em cerca de $17 mil.
- Pessoas como Dani Hunterford relatam dificuldade em poupar e temem que aumentos de aluguel sejam repassados aos inquilinos; especialistas apontam que cidades como Brisbane e Perth seguem com alta de preços, dificultando ainda mais o sonho da casa própria.
O terceiro aumento da taxa básica de juros do Reserve Bank acelera o esfriamento do mercado imobiliário. O ajuste aumenta o custo dos empréstimos e reduz a capacidade de financiamento, impactando quem busca comprar pela primeira vez.
Entre agosto de 2024 e abril de 2025, Sydney e Melbourne registraram queda recente nos preços de imóveis, com quedas de 0,6% em abril em ambas as cidades em comparação com três meses antes. Mesmo assim, as faixas mais baratas do mercado continuam a subir, elevando a dificuldade para os compradores iniciantes.
Para as famílias que sonham com a casa própria, o aporte inicial ainda é encorajado pela ampliação do programa governamental de garantia de depósito, que permite entrada de 5% em alguns casos. Contudo, a diferença entre preço e capacidade de financiamento permanece acentuada para quem entra tarde no mercado.
Contexto de juros e preços
Analistas destacam que o peso dos juros é sentido principalmente no endividamento dos compradores. Em Sydney, Melbourne e outras capitais, a dinâmica segue o movimento dos preços das faixas mais acessíveis, onde a demanda se concentra, apesar da tendência de queda nos valores médios.
O pesquisador Gerard Burg observa que a queda de preços nem sempre beneficia o comprador de primeira viagem, pois a menor valorização ocorre nos segmentos onde eles costumam atuar. Em abril, os 25% mais baratos dos imóveis de Sydney caíram menos que a média.
Além disso, o preço médio de um primeiro imóvel fica pressionado pela menor capacidade de crédito. A estimativa aponta que o comprador inaugural típico levou empréstimo próximo a 607 mil dólares, e cada novo incremento de taxa pode reduzir a margem de crédito em cerca de 17 mil dólares.
Impactos práticos para compradores
Dani Hunterford, 24 anos, e o marido têm poupado para o depósito, mas relatam frustração com a elevação das taxas. Ela trabalha em tempo integral e cursa uma pós-graduação em direito; ele também contribui com a renda da família. O casal teme que o aluguel elevado atrapalhe a poupança.
Pesquisas indicam que parte dos compradores pode aproveitar a queda de preços, desde que a capacidade de endividamento seja suficiente. Especialistas ressaltam a necessidade de simular cenários com juros futuros e manter buffers financeiros.
Outros centros urbanos, como Brisbane e Perth, seguem com preços ainda em alta, mesmo diante do aperto monetário. Em Perth, por exemplo, os preços acumulam alta de mais de 9% neste ano, ampliando o desafio para quem busca o primeiro imóvel.
Perspectivas e recomendações
Analistas sugerem que compradores avaliem a relação entre dívida contraída e renda futura, com testes de estresse robustos. Reduzir despesas de crédito rotativo e comparar ofertas de empréstimo podem aumentar a capacidade de financiamento, sem comprometer a estabilidade financeira.
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