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Europa inicia era de deportações

União Europeia aprova regulamento de retornos e acelera criação de campos de deportação em países terceiros, ampliando controvérsia e desafios logísticos

El comisario europeo para Asuntos Internos e Inmigración, Magnus Brunner, este martes en Bruselas.
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  • A União Europeia aprovou o regulamento de retornos, acelerando a criação de campos de deportação em países terceiros e endurecendo a política migratória.
  • Países-membros como Alemanha, Áustria, Países Baixos, Dinamarca e Grécia buscam locais na África e em outras regiões para sediar esses centros, longe da Europa.
  • Organizações de direitos humanos criticam a medida e temem prisões indefinidas, separação de famílias e envio de migrantes para países sem vínculos com eles.
  • A Comissão Europeia sustenta que o regulamento aumentará deportações de requerentes de asilo rejeitados; defensores dizem que os centros também funcionariam como dissuasão.
  • Ainda há dúvidas sobre a implementação prática, direitos dos deportados e parâmetros dos centros, apesar de a base legal já ter sido criada.

A União Europeia aprovou um novo reglamento de retorno que facilita a criação de centros de deportação em países terceiros. A medida, defendida pela Comissão e pela Eurocâmara, reforça o endurecimento da política migratória da UE e marca um giro na gestão de migrantes.

Diversos Estados-membros já sinalizam interesse em abrir esses campos fora da Europa, principalmente na África. Alemanha, Áustria, Países Baixos, Dinamarca e Grécia aparecem entre os que estudam opções para abrigar pessoas retornadas.

O acordo foi alcançado após negociações entre Parlamento, Estados-membros e Comissão. A expectativa é que o marco legal esteja pronto antes do verão para dar início às discussões sobre localização, financiamento e infraestrutura dos centros.

ONGs de direitos humanos criticam a decisão, trazendo preocupação com a detenção prolongada e a separação familiar. Apontam para riscos de violação de direitos e de vínculos com terceiros países, onde os migrantes teriam de permanecer indefinidamente.

A Comissão defende que o reglamento aumentará as deportações de requerentes que não obtiveram asilo. Dados de Eurostat são citados para afirmar que apenas 28% dos devolvidos retornam ao país de origem após a rejeição.

Até o momento, há dúvidas práticas sobre como funcionariam os centros. Questões incluem direitos dos deportados, duração da estadia e garantias de educação para menores em caso de famílias separadas.

Autoridades da UE destacam que a ideia é evitar deslocamentos dentro da Europa. O viceministro de Migração de Chipre, Nicholas Ioannides, ressaltou que os centros devem ficar fora de áreas próximas às fronteiras europeias, com garantias de direitos.

Um eurodeputado holandês, Malik Azmani, sinalizou que acordos com países extracomunitários podem ocorrer, possivelmente na região da África. Ele acrescentou que os detalhes cabem aos Estados interessados em abrir os centros.

Os negociadores destacam que o texto atual representa uma posição comum entre a maioria dos membros e da Eurocâmara. Ainda assim, reconhecem que não há parâmetros claros para os centros nem definição precisa de quem seria deportado à força.

Do ponto de vista logístico, o marco legal está próximo de ser concluído, mas a implementação depende da cooperação dos Estados interessados. A UE pretende manter linha dura na gestão migratória com base no novo reglamento.

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