- Restos mortais de pelo menos 37 pessoas foram encontrados dentro de uma urna de pedra, marcando a primeira evidência de uma cripta coletiva nesse tipo de vaso.
- A urna investigada faz parte da Planície dos Jarros, no Laos, onde há mais de dois mil recipientes de pedra espalhados pela região.
- A datação por carbono indica uso do local como sepultura entre os séculos IX e XII, por cerca de duzentos e setenta anos.
- O estudo sustenta a hipótese de sepultamento em duas etapas: após a morte, o corpo seria colocado em outro local para decomposição antes de os ossos serem reunidos na urna.
- Além de ossos, foram encontrados ferramentas de ferro, cerâmica, cobre e vidro, com itens vindo da Índia e da Mesopotâmia, sugerindo uma extensa rede de comércio.
O Laos abriga a Planície dos Jarros, um sítio arqueológico com milhares de vasos de pedra de origem antiga. Novo estudo internacional apresenta evidências de que uma urna gigante abrigava restos mortais, não vinho, o que reforça função funerária.
A pesquisa analisou uma urna de mais de um metro de altura e dois de largura, conhecida como Jar 1. Três expedições de campo permitiram escavar o interior, que continha sedimentos e restos de 37 pessoas. Não foram encontrados traços de vinho.
Os restos incluem indivíduos de várias idades, desde bebês até adultos. Ainda não há informações de parentesco, pois análises de DNA estão em andamento. A urna recebeu o apelido death jar, ou “vaso da morte”.
Evidências e método
A datação por carbono indica uso do local como sepultura entre os séculos IX e XII, em um período de cerca de 270 anos. A montagem dos ossos mostra organização, com crânios na borda da urna e fêmures posicionados de modo transversal. Não há confirmação de construção da peça, apenas de uso durante gerações.
Além dos ossos, foram encontrados instrumentos de ferro, cerâmica, bem como artefatos de cobre e vidro, com itens provenientes da Índia e da Mesopotâmia, sugerindo uma rede de comércio regional ainda não totalmente mapeada.
Interpretações e próximos passos
Os pesquisadores aventam a hipótese de sepultamento em duas etapas: o corpo seria colocado em outro local para decomposição inicial, possivelmente em recipientes de pedra, seguido pela organização dos restos na urna em um rito posterior. A função ritual da urna, bem como seu papel social, ainda não é totalmente esclarecido.
O estudo ressalva que muitos vestígios da antiga civilização local permanecem ocultos ou não explorados. A equipe não descarta novas descobertas que possam ampliar o entendimento sobre as práticas funerárias e as relações comerciais da região.
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