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Prazer, paródia e propaganda: repensar a história da ilustração

Obra revisita a história da ilustração, mostrando como imagens moldam leitura, propaganda e consumo ao longo de séculos

Japanese ukiyo-e artist Kobayashi Kiyochika’s triptych of colour woodblock prints, Our Troops Set Up a Bivouac at Yingkou while Braving the Bitter Cold (1895). It is a scene from the First Sino-Japanese War (1894-95), during which he produced more than 70 triptych prints
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  • O livro Reading Pictures, de D. B. Dowd, analisa como lemos ilustrações, desde o frontispício do Diamond Sutra, no século IX, até capas de revistas contemporâneas.
  • A obra mostra a ilustração como referência a textos, eventos e fatos culturais, destacando a função de pôsteres, como o de Jules Chéret para o Alcazar d’Été Club, em Paris, criado em 1891.
  • Discute o uso das imagens para propaganda e consumo, com exemplos como o livro infantil nazista de 1938 e a vitrine da loja Mitsukoshi, em Tokyo, de 1920.
  • Explora retratos femininos e cenas sensíveis em várias culturas, incluindo xilogravuras japonesas do século XVIII e uma ilustração vietnamita de 1966 com uma jovem revolucionária.
  • Aponta lacunas na obra, como a ausência da ilustração de história natural, e sugere que ilustrações de Cahén na Maclean’s de 1951 exemplificam como a ilustração pode capturar percepções da realidade.

A obra Reading Pictures: A History of Illustration, de D.B. Dowd, propõe uma leitura renovada da ilustração, desde um frontispício chinês do século IX até capas de revistas marxistas. O livro analisa como imagens funcionam como referências a textos, eventos ou fatos culturais, não apenas como objetos estéticos.

Dowd, professor de design e estudos sobre cultura americana na Washington University em St. Louis, sustenta que ilustradores moldam leituras por meio de contextos históricos, literários e políticos. A obra percorre desde o Diamond Sutra (868 d.C.) até reportagens pictóricas contemporâneas de zonas de conflito, como Gaza em 2015.

O livro aborda a transição da profissão de ilustrador no século XIX e traça paralelos entre xilogravuras japonesas e posters parisienses, como o de Jules Chéret de 1891. Trechos discutem a relação entre arte e publicidade, e como artistas de revistas de esquerda influenciaram capas de publicações nos anos 1910 e 1920.

Entre os casos analisados, Dowd cita a mulher retratada em posters de Chéret, a intervenção de revistas como The Mass e a cobertura de guerras que usaram a imagem para fins propagandísticos ou mercantis. O autor também comenta o papel de cenas cotidianas na construção de memórias visuais.

A obra também aborda a crítica a abusos da ilustração, incluindo exemplos como histórias infantis usadas para disseminar racismo e a propaganda durante regimes totalitários. Ao mesmo tempo, Dowd destaca recursos estéticos que atraem o olhar do público e treinam comportamentos de consumo.

Críticas ao longo do texto destacam, ainda, que a análise privilegia muitos capítulos sobre a leitura de imagens, porém pode subestimar tradições de ilustração naturalista. Em complemento, o autor reconhece a relevância de capas que traduzem a energia de contextos sociais complexos.

O livro reunido em Princeton University Press, com 400 páginas e 400 imagens coloridas, é apresentado como recurso para quem busca compreender o poder da imagem ilustrada. Publicação ocorreu em 21 de abril, com nota de lançamento atribuída a Christoph Irmscher, crítico e biógrafo.

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