- Trump alterna entre pressões e gestos para sair do que ele chama de “gatilho iraniano”, pausando o Projeto Liberdade para abrir espaço a negociações que possam frear o bloqueio do estreito de Hormuz.
- EUA, Irã e mediadores paquistaneses estariam perto de um memorando de entendimento de uma página para encerrar a guerra e iniciar 30 dias de negociações sobre programa nuclear, sanções e ativos congelados, com o fim gradual do bloqueio durante as tratativas.
- O Irã reagiu de forma cautelosa: o IRGC disse que a reabertura de Hormuz é possível, mas Teerã não confirmou a viabilidade do acordo e classificou a proposta como “wishlist americano”.
- Os termos discutidos sinalizam moratória de enriquecimento entre doze e quinze anos, retirada ou diluição de urânio enriquecido de alta qualidade, retorno permanente dos inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica e liberação gradual de ativos iranianos congelados, com alívio de sanções.
- A situação permanece frágil: mais de cinco mil pessoas morreram no conflito; impactos econômicos e humanitários são amplos, tornando o desfecho incerto e sujeito a colegas de poder no Irã e a apoio regional.
Trump faz nova curva na crise com Irã em situação de impasse criada pelo próprio governo, enquanto propostas de cessar-fogo vão ganhando contornos de negociações. A leitura inicial aponta que o conflito continua com risco alto e incerteza sobre saída.
Nos últimos dias, o governo americano sinalizou medidas para aliviar a pressão sobre navios no Golfo, em uma manobra chamada Project Freedom, ao mesmo tempo em que reforçou a ameaça de ataques mais intensos caso a parte iraniana não aceite termos iniciais. O governo diz buscar um caminho para evitar nova escalada.
Fontes próximas às negociações indicam que EUA, Irã e mediadores paquistaneses discutem um memorando de entendimento de uma página para encerrar o conflito e abrir um período de 30 dias de negociações sobre o programa nuclear, sanções e ativos congelados. As partes estariam aparentemente em rota de suspender progressivamente os bloqueios do estreito de Hormuz.
O Irã afirmou que pode reabrir o estreito, mas não respondeu de forma direta à proposta. O Ministério das Relações Exteriores informou que a ideia está sendo avaliada, enquanto o porta-voz do Parlamento foi categórico ao descrever a proposta como uma “wishlist americana”. Não houve confirmação oficial de um acordo.
Analistas destacam a dificuldade de qualquer entendimento viável em 30 dias, dada a complexidade de desnivelamentos entre programa nuclear, sanções e ativos bloqueados. Ainda assim, autoridades de Washington e Teerã parecem dispostas a testar uma nova fase de negociações, mesmo diante de ceticismo.
A proposta prevê, entre pontos-chave, uma moratória prolongada para enriquecimento de urânio, com supervisão renovada da IAEA, e liberação gradual de ativos iranianos bloqueados. Em contrapartida, haveria flexibilização de sanções, com verificação de cumprimento ao longo de um calendário acordado.
Especialistas ressaltam que qualquer acordo precisaria também enfrentar desavenças regionais, incluindo a demanda de Israel sobre questões de mísseis e de ações de aliados iranianos. O estabelecimento de requisitos de verificação pode ser determinante para a credibilidade do acordo.
Mesmo que haja avanço, a avaliação depende de como as partes operacionalizarão o cronograma de desmonte de medidas restritivas e como será assegurada a cooperação internacional. O cenário permanece frágil e suscetível a reviravoltas a qualquer sinal de ruptura.
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