- Dentista israelense Esi Sharon-Sagie volta a trabalhar na identificação de vítimas do conflito no Irã, após contribuir para nomear os mortos na Gaza.
- Em 28 de fevereiro, ataque aéreo entre EUA e Israel no Irã desencadeou uma guerra que se espalha pela região; Sharon-Sagie é acionada novamente para identificar corpos cujas identificações visuais não são possíveis.
- A odontologia forense é usada para identificar restos de vítimas com danos graves, comparando radiografias com prontuários dentários.
- Sharon-Sagie atua em plantão dia e noite e descreveu momentos de cansaço extremo ao atender novas vítimas.
- Um ano após, ajudou a identificar um dos integrantes do ataque de 7 de outubro; Yahya Sinwar, então líder do Hamas, foi morto em Gaza em outubro de 2024, e seus dados médicos ajudaram na identificação.
A dentista israelense Esi Sharon-Sagie retomou, neste mês, o trabalho de identificação de vítimas de conflito após atuar na identificação dos restos de uma refém israelense em Gaza. A ativação ocorreu em meio a uma ofensiva que se espalha pela região.
Desde 2010, Sharon-Sagie trabalha como voluntária com a polícia, mas o dia 7 de outubro de 2023 marcou mudança profunda. Em Israel, Hamas lançou um ataque surpresa, provocando centenas de mortes e a maior contagem de vítimas em um único dia.
A identificação de cerca de 1.200 falecidos foi gradual, com muitos corpos gravemente queimados. A otodontologia forense passou a ser aplicada para confrontar condições que inviabilizam reconhecimento visual ou impressão digital.
Sharon-Sagie atua em turnos contínuos, superando fadiga para concluir nomeações. Em uma ocasião, ao final de uma longa sessão, vislumbrou a mão de uma vítima e, com serenidade, buscou uma tradução íntima entre o passado e o presente.
Como funciona a identificação
A técnica compara radiografias dentárias com registros prévios, permitindo reconhecer restos que estejam danificados. Em casos de corpos carbonizados ou deteriorados, a correspondência dental é decisiva para confirmar identidades.
A história de Sinwar, líder do Hamas, também figura nos registros médicos. Um ano após o ataque, sua morte ocorreu no conflito no sul de Gaza, e seus prontuários foram úteis para a verificação de dados carregados pela defesa israelense.
Os trabalhos de Sharon-Sagie tiveram desdobramentos nacionais após a liberação de informações sobre vítimas. Em 26 de janeiro, foram localizados os restos da última das 251 reféns mantidas em Gaza, encerrando um capítulo doloroso para famílias.
Quando o corpo de Ran Gvili, policial israelense, foi identificado em um cemitério no norte de Gaza, Sharon-Sagie integrou a equipe que analisou centenas de corpos. O momento foi marcado por uma mistura de emoção e realismo profissional.
O retorno ao trabalho ocorre em meio a uma dinâmica de combate que envolve ações entre EUA e Israel em território iraniano, iniciadas em 28 de fevereiro. A operação desencadeou uma guerra regional e manteve a pressão sobre as equipes de identificação.
O objetivo permanece: nomear as vítimas com precisão, assegurando que cada identificação chegue aos familiares. O trabalho exige rigor técnico, disciplina e respeito às famílias afetadas, sem conjecturas ou interpretações adicionais.
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