- O Brasil valoriza ingredientes locais, território e memória, tornando a brasilidade parte da estratégia criativa, cultural e econômica da gastronomia.
- Ferramentas de inteligência artificial e análise de dados já são usadas em restaurantes para prever demanda, reduzir desperdícios e otimizar operações.
- Cafira Foz, nasceu em Fortaleza e criou o Grupo Fitó, ampliando sua trajetória de chef para empresária com identidade própria.
- O Fitó atua hoje também na Pinacoteca de São Paulo, conectando gastronomia a expressão cultural e atraindo públicos variados.
- O desafio é preservar pessoas e diversidade humana, evitar caricaturas da brasilidade e usar a tecnologia para apoiar a criatividade, não substituí-la.
Entre raízes e algoritmos, o Brasil reinventa sua cozinha. A valorização de ingredientes locais, territórios e memórias ganha espaço ao lado da adoção de dados e inteligência artificial nos bastidores da gastronomia.
Chef Cafira Foz atua à frente do Grupo Fitó, que nasceu em São Paulo após a mudança da chef do Nordeste. O movimento atual coloca brasilidade como estratégia criativa, cultural e econômica, com tecnologia integrada a operações e cardápios.
Uma história construída entre território, memória e deslocamento
Cafira, nascida em Fortaleza e criada em Teresina, atribui a formação profissional ao conceito de território, memória e vida cotidiana em casa. Memórias familiares moldam a relação com serviço e hospitalidade, não apenas com a cozinha.
A trajetória levou ao Fitó, que evoluiu de restaurante para grupo gastronômico com identidade própria. A chef destaca a transição de narrativas pessoais para uma imagem empresarial, sem perder a conexão com raízes.
O Brasil que deixou de pedir licença
Segundo Cafira, a valorização da cozinha brasileira já existia, mas passou a receber atenção maior. Ela destaca que muitos cozinheiros trabalham com tradições locais sem escolas internacionais, e que a criatividade nacional surge da diversidade de experiências do país.
A chef enfatiza a riqueza de ingredientes brasileiros, estimando uma variedade superior à de outros lugares. A integração de biodiversidade e cultura amplia o potencial para experiências gastronômicas de alto nível.
Menos folclore, mais identidade
A comunicação da brasilidade evita caricaturas. O Fitó utiliza design, arquitetura, trilha sonora e materiais para contar a história do Brasil sem reduzir a símbolos regionais a estereótipos. O barro, a música e queijos aparecem como elementos de identidade.
A leitura contemporânea do Nordeste e de novos artistas também orienta a oferta. Técnicas ancestrais convivem com inovação, mantendo o foco no presente e na evolução profissional de Cafira, hoje com quatro filhos.
Quando a inteligência artificial entra na cozinha
O Fitó passou a usar IA para prever demanda, reduzir desperdícios, analisar consumo e melhorar operações. A implantação, porém, exigiu mudanças na visão de quem cozinha, antes mais analógica. A chef ressalta que a tecnologia amplia capacidades sem substituir pessoas.
Os dados ajudam a escutar clientes, mas o menu só ganha sentido quando aprovado pelo público. A IA indica tendências, enquanto a criatividade humana permanece essencial para a experiência.
O restaurante como espaço de permanência
Uma operação do Grupo Fitó funciona na Pinacoteca de São Paulo. O espaço amplia a discussão sobre a gastronomia como linguagem cultural. Os visitantes chegam por exposições e descobrem o restaurante durante a visita, integrando cultura e alimentação.
A experiência gastronômica é descrita como uma pausa no percurso cultural, com público diverso de várias partes do mundo. Cafira afirma que o museu pode ser desafiador, e o restaurante oferece o melhor serviço dentro do espaço.
O que precisa ser preservado
Para Cafira, o essencial da gastronomia brasileira são as pessoas. Pequenos restaurantes independentes enfrentam dificuldades diante de grandes grupos, e há risco de apagamento cultural. Ela defende olhar econômico para espaços que contam histórias da cidade.
A ideia central é que, mesmo com tecnologia, são as pessoas que criam vínculos, constroem narrativas e mantêm a história da comida brasileira. A preocupação é manter a memória viva, sem abrir mão da inovação.
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