- Sophie Rivera (1938–2021), fotógrafa porto-riquenha-americana, ficou conhecida pela série Nuyorican Portraits, em Manhattan.
- A exposição Double Exposures é a primeira grande retrospectiva da artista, situando-a no debate da fotografia pós‑guerra e destacando ativismo político e técnica.
- A curadora Susanna V. Temkin afirma que chamá-la de “desconhecida” é impreciso; Rivera atuou em retratos, fotojornalismo e experimentação, exibindo-se amplamente e conectada a redes de fotógrafos latinxs e feministas.
- O ponto de partida da mostra foi Alternators (1975, impresso em 1986), foto colorida do interior de um vagão de trem, doada ao museu pela artista.
- Temkin espera que a exposição estimule novos estudos sobre Rivera, inclusive pela atenção à sua escrita, como artigos publicados na década de setenta defendendo a liberdade de mulheres artistas para expor nus.
A exposição Sophie Rivera: Double Exposures chega ao El Museo del Barrio com foco na experimentação de uma das artistas mais reconhecidas entre a comunidade latina em Nova York. A mostra apresenta a prática da fotógrafa porto-riquenha-americana Sophie Rivera (1938-2021), conhecida pelo conjunto Nuyorican Portraits, de 1978, que retrata retratos de moradores puertorriquenhos em Morningside Heights, Manhattan, valorizando a diáspora latina na cidade.
A curadoria, conduzida por Susanna V. Temkin, resgata a busca de Rivera por diálogo entre ativismo político, técnica fotográfica e experimentação visual. A exposição revisita a trajetória da artista, que atuou em diferentes formatos, como retratos, fotojornalismo e imagens experimentais, exibindo-a amplamente em vida.
Exposição e contexto
Temkin afirma que chamar Rivera de desconhecida não condiz com a realidade, destacando a participação da artista em movimentos artísticos de Nova York e seu engajamento com redes de fotógrafos latinx e feministas, além de organizadores comunitários. A mostra nasce a partir de uma obra doada por Rivera ao museu no final dos anos 1980: a fotografia colorida Alternators, de 1975 (impressa em 1986), capturada dentro de um vagão de metrô com a visão pela janela coberta de graffiti.
A obra Alternators é apontada pela curadora como expressão da identidade de Rivera como moradora de Nova York e da relação duradoura da artista com o El Museo del Barrio. Temkin também ressalta o valor histórico da pesquisa em memória da fotógrafa, destacando textos publicados na década de 1970 em defesa da liberdade de exibição de nus por mulheres artistas, em paralelo com a prática masculina.
O que está em jogo
A exposição busca abrir caminhos para estudos futuros sobre o trabalho de Rivera, combinando pesquisa, curadoria e arquivo. A mostra reúne parte da prática da fotógrafa, evidenciando a dimensão política de suas imagens e seu papel na história da fotografia experimental pós-guerra. A programação segue em cartaz no El Museo del Barrio até 2 de agosto.
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