- Os grandes bancos brasileiros vêm aumentando fortemente as provisões para perdas com crédito no primeiro trimestre de 2026, refletindo a deterioração do ciclo de crédito e a inadimplência crescente.
- Banco do Brasil, Santander Brasil, Itaú Unibanco e Bradesco responderam com 44,8 bilhões de reais em despesas com provisões no trimestre, alta de 33% versus o ano anterior.
- O Banco do Brasil elevou provisões em 46% em doze meses, para 16,8 bilhões de reais, contribuindo para queda de 54% no lucro líquido ajustado; a inadimplência com mais de 90 dias na carteira rural atingiu 6,22%.
- A Caixa Econômica Federal aumentou provisões em 225% em doze meses; o Nubank também reforçou reservas diante da expansão da carteira em modalidades de maior risco.
- A mudança da Resolução 4.966 do Conselho Monetário Nacional alterou a forma de calcular perdas esperadas, sinalizando deterioração do crédito; a inadimplência total chegou a 4,3% em março, e 81,7 milhões de brasileiros possuem restrições no CPF.
O risco de calote ganhou relevância entre os bancos brasileiros, com provisões para perdas com crédito em alta no 1º trimestre de 2026. BB, Caixa, Santander, Itaú, Bradesco e Nubank registraram aumento significativo, sinalizando deterioração do crédito diante de juros elevados.
O montante de provisões somou 44,8 bilhões de reais nos quatro bancos citados, alta de 33% ante o mesmo período de 2025. A conservação de capital aparece como prioridade frente à expansão de carteira.
O Banco do Brasil teve o caso mais destacado: provisões subiram 46% em 12 meses, para 16,8 bilhões. O lucro líquido ajustado caiu 54% no trimestre, para 3,4 bilhões, ajudado pela elevação do custo do crédito.
No rural, a inadimplência acima de 90 dias no BB atingiu 6,22%, um salto de 3,5 pontos percentuais. Em termos de impacto, a carteira de agronegócio e linhas de crédito para produtores pesam na deterioração.
A Caixa Econômica Federal também ampliou suas provisões, com alta de 225% em 12 meses, refletindo pressão de segmentos de maior risco. O Nubank reforçou reservas ante o crescimento da carteira em modalidades mais arriscadas.
Esses movimentos acompanham a implementação da Resolução 4.966 do CMN, que exigiu reconhecimento antecipado de perdas esperadas. Além disso, revelam desvanecimento gradual do ciclo de crédito após anos de juros elevados e endividamento das famílias.
Segundo Rafael Minotto, da Ciano Investimentos, a mudança ajuda a antecipar perdas. A tarefa é ajustar previsões com base no endividamento elevado das famílias brasileiras.
A inadimplência total do crédito chegou a 4,3% em março, conforme o Banco Central, ante 3,3% um ano antes. A Serasa aponta 81,7 milhões de brasileiros com restrição no CPF, com quase metade adulta endividada.
Entre os bancos, Santander Brasil registrou 3,3% de inadimplência acima de 90 dias, maior alta entre privados. O CEO Mario Leão informou cautela em pequenas empresas, agronegócio e cartão de crédito.
Bradesco apresentou inadimplência de 4,2% e provisões de 9,66 bilhões no trimestre, alta de 26,5% frente ao ano anterior. No atacado, provisões quase quadruplicaram em 12 meses.
Analistas destacam que a divisão entre bancos mais expostos a segmentos sensíveis e instituições com gestão de risco mais conservadora se acentuou. A performance varia conforme exposição setorial.
Para especialistas, o efeito macro pode ser a desaceleração do crédito em meio à economia sem tração. O setor financeiro tende a preservar capital e reduzir risco para sustentar a qualidade das carteiras.
A leitura é de que o sistema financeiro está mais sólido por ter adotado cautela. No entanto, o custo do dinheiro alto por tempo maior pressiona lucros e acionistas, mesmo com capital robusto.
O cenário aponta para um ciclo de maior vigilância na concessão de crédito nos próximos meses, com impactos potenciais na atividade econômica, à medida que o aperto monetário se consolida.
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