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Mulheres, máquinas e trabalho: estudo sobre a relação com a automação

Museu Tinguely destaca o papel invisível das mulheres no trabalho, conectando cuidado, labor doméstico e produção artística à relação com máquinas

Frida Orupabo creates collages from historical images. Her Baby in Belly (2020) references the prejudice that pregnant Black women often experience
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  • Museus Tinguely, em Basileia, abriga a exposição Labouring Bodies, com foco na relação entre mulheres, máquinas e trabalho, reunindo obras de 36 artistas.
  • A mostra começa no início do século passado e vai até hoje, explorando o trabalho feminino em ambientes doméstico, industrial, biológico e de cuidado.
  • A curadora destaca a origem da mostra em The Night Side, filme de Alexandra Navratil, que acompanha uma trabalhadora retornando a uma antiga fábrica fotográfica.
  • Obras de Frida Orupabo, Mary Kelly, Helen Chadwick e outras mostram como o trabalho não remunerado, o cuidado e a reprodução moldam a vida das mulheres.
  • A exposição traz trabalhos de artistas como Sella Hasse, Alice Lex-Nerlinger, Juliana Huxtable e Ani Liu, entre outros, além da inclusão de apenas dois artistas homens (Tinguely e John Heartfield).

A exposição Labouring Bodies chega ao Museum Tinguely, em Basel, analisando a relação entre mulheres, máquinas e trabalho ao longo de mais de um século. A mostra reúne 36 artistas, de início do século XX aos dias atuais, com obras em pintura, cinema, fotografia e instalação. O eixo curatorial investiga o trabalho feminino, muitas vezes invisibilizado, incluindo o trabalho doméstico, de cuidado e reprodutivo.

A curadora Sandra Beate Reimann explica que a mostra se inspira em o que Jean Tinguely já estudava: a interação entre homem e máquina. A exposição parte de The Night Side, filme de Alexandra Navratil de 2016, que acompanha Gundula Brett em uma fábrica fotográfica desativada, revelando movimentos corporais femininos no manuseio de aparelhos sensíveis à luz.

Panorama temático

A curadoria evita fronteiras rígidas entre setores do trabalho feminino, ressaltando que o labor reprodutivo sustenta o produtivo. Entre as obras, Mary Kelly reconstitui uma instalação dos anos 1970 que mescla registros de uma operária com imagens de uma artista acariciando a própria barriga, apontando a união entre setores anteriormente separados.

Outra linha destacada é a força de obras de artistas menos conhecidas, como Sella Hasse e Alice Lex-Nerlinger, que situam a mulher no centro de máquinas e na casa como espaço de dupla jornada. A curadoria enfatiza ainda a persistência de desigualdades, observando paralelos com a era digital atual, quando muitas trabalhadoras acumulam tarefas em casa, conectadas a seus computadores.

Obras e relevância atual

Entre as peças, Frida Orupabo apresenta collages que estudam preconceitos contra mulheres negras grávidas, em especial na representação de corpos femininos. A mostra inclui também trabalhos de Helene Chadwick e outras autoras que expandem o debate sobre o papel da mulher na indústria, no lar e na biologia.

A exposição Labouring Bodies permanece em cartaz no Museum Tinguely até 8 de novembro. O conjunto de obras convida a refletir sobre como a divisão do trabalho entre homens e mulheres persiste, mesmo com avanços tecnológicos. O projeto reforça a necessidade de reconhecer o valor do trabalho feminino, em suas múltiplas dimensões.

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