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Abstração asiático-americana em espaço instável

A mostra evidencia como a identidade asiano-americana moldou a abstração, mesmo quando os artistas buscavam neutralidade estética

Island and Piano (1980) by Kikuo Saito, a Japanese American colour field painter
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  • A exposição How Asian Is It? reúne doze abstraicionistas sino-americanos, nascidos entre 1928 e 1955, no Milton Resnick and Pat Passlof Foundation, em Nova York, com mostra aberta até 11 de julho.
  • Os artistas, alguns imigrantes e outros nascidos nos EUA, iniciaram a carreira em um contexto em que a identidade podia ser um obstáculo, buscando explorar a abstração sem manifestar uma estética identitária única.
  • O foco não está em estilos compartilhados, mas na negociação com o espaço e na ideia de vazio como elemento ativo, reminiscentes do liubai, conceito da pintura chinesa que valoriza o espaço em branco.
  • Barbara Takenaga, Emily Cheng, Charles Yuen e David Diao aparecem na exposição com séries e obras que enfatizam estrutura, movimento, cor e espaço, sem linguagem unificada de “identidade asiática”.
  • O conjunto questiona como os artistas lidaram com diferença enquanto praticavam a abstração, destacando intervalos, pausas e o que fica não dito na obra.

A Milton Resnick e Pat Passlof Foundation abriga a exposição How Asian Is It?, reunindo 12 artistas abastratos de ascendência asiática. O conjunto apresenta obras nascidas entre 1928 e 1955, com histórias de imigração, assimilação e dilemas identitários. A mostra fica em Nova York e permanece aberta até 11 de julho.

A curadoria fica a cargo de Lilly Wei. O destaque não está em um estilo único, e sim na negociação com o espaço e a ausência de manifesto comum. A ideia é mostrar como o conceito de identidade se entrelaça com a prática da abstração.

Entre as obras, Barbara Takenaga imprime movimento com manchas brancas sobre campo negro em Hovenweep (2016). Emily Cheng apresenta a série A Force Like Gravity (2022), centrada em energia e chi, sem iconografia fixa. Charles Yuen tenta deslocar a identidade com referências de miniaturas persas e sistemas espaciais não lineares, em Visiting Xanadu (2025).

David Diao traz Grandsweep (1970) para o eixo político da prática abstrata, com variações de cor e técnica de espalhamento de tinta. O artista chegou a Nova York na década de 1950, buscando assimilação em um momento de visibilidade restrita para artistas asiáticos. O conjunto invita a refletir sobre como a diferença moldou a produção de abstratos ao longo de décadas.

A exposição questiona não apenas o aspecto visual, mas como a identidade se apresenta na prática de cada artista. O espaço entre visibilidade e contenção permeia as obras, abrindo uma leitura histórica sobre o lugar da abstração na trajetória de artistas asiáticos-americanos.

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