- Meg O’Neill assume a presidência da BP, sendo a primeira CEO externa à empresa; objetivo é simplificar a operação e focar no upstream, com caminho de recuperação estimado em pelo menos dois anos.
- A BP tem desempenho abaixo de pares, alta dívida e uma estrutura organizacional considerada inchada, sinalizando necessidade de mudanças rápidas.
- Investidores pedem menos complexidade, redução de custos e foco nos ativos de upstream mais fortes, como Estados Unidos e Brasil, além da venda de ativos antigos, como os campos do Mar do Norte.
- A empresa interrompeu, em fevereiro, o programa trimestral de recompra de ações de US$ 750 milhões; há pressão de investidores ativistas, incluindo Elliott, para retorno maior ao foco em petróleo e gás.
- O pipeline upstream é visto como promissor a longo prazo, com a descoberta de Bumerangue próximo ao Brasil; as reservas da BP respondem por cerca de sete anos de produção, destacando o desafio de expandir o portfólio diante da valorização recente do petróleo.
Meg O’Neill assumiu a BP na quarta-feira (1º), tornando-se a primeira CEO da empresa. O foco inicial é simplificar operações e recuperar valor, diante de um histórico de desempenho aquém dos pares. A nomeação ocorre em meio a pressões de cortes, venda de ativos e foco no upstream.
A BP enfrenta dívidas, uma estrutura organizacional ampla e um portfólio com unidades de baixo retorno. Apesar da alta recente do petróleo, o valor de mercado continua abaixo de 1/5 da Exxon Mobil, e o desempenho das ações está abaixo dos concorrentes nos últimos cinco anos.
Analistas veem fragilidades em custos, reservas e estratégia. A empresa cortou, em fevereiro, uma recompra de ações de US$ 750 milhões. Investidores pedem maior simplicidade, corte de custos e foco nos ativos de upstream, especialmente nos EUA e no Brasil.
Desafios e mudanças estratégicas
O presidente do conselho, Albert Manifold, afirma que a BP precisa se tornar mais simples, enxuta e lucrativa. A reviravolta deve levar pelo menos dois anos para trazer resultados, segundo pessoas próximas à empresa. A gestão avalia todas as áreas da organização para reduzir complexidade.
Especialistas lembram que a BP tem reservas comprovadas que cobrem cerca de sete anos de produção, entre as mais baixas entre grandes companhias. A estratégia de renováveis falhou em gerar retornos consistentes, alimentando pressão por foco maior em petróleo e gás.
Em meio a esses movimentos, o upstream pode representar a área com maior potencial de recuperação de valor, diante de descobertas promissoras e uma carteira com ativos em destaque. A BP tem atuação relevante no segmento, com o Brent influenciando margens de lucro a cada variação de US$ 1.
Perspectivas e próximos passos
Enquanto certos investidores defendem mudanças rápidas na liderança, outros aguardam decisões sobre desinvestimentos de ativos antigos, como campos no Mar do Norte. A empresa ressalta que o caminho requer ajustes estruturais e uma nova orientação para sustentar a geração de caixa.
Mercado e analistas observam que o desempenho da BP ainda depende de fatores externos, como o equilíbrio entre oferta e demanda global e a evolução da situação geopolítica no Oriente Médio. A BP não respondeu a comentários sobre a reestruturação.
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