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Guerra no Irã leva África a crise energética

Guerra no Oriente Médio eleva preço do petróleo na África e agrava escassez de fertilizantes, com impactos inflacionários e cortes de energia

Un grupo de clientes hace cola para repostar en Lagos (Nigeria), el 7 de abril.
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  • A guerra no Oriente Médio e o bloqueio do estreito de Ormuz provocam crise energética na África, com aumento de preços do petróleo por volta de cinquenta por cento e risco de escassez de fertilizantes.
  • A África produz cerca de oito por cento do petróleo mundial, mas importa aproximadamente setenta por cento do que consome, tornando o continente mais vulnerável à alta de preços.
  • Países africanos adotam medidas como redução de impostos sobre importação de combustível, racionamento de energia e fechamento de negócios à noite para conter o consumo.
  • A alta de preços de energia deve impactar alimentos e fertilizantes, intensificando a insegurança alimentar na região, segundo especialistas da ONU e de órgãos internacionais.
  • A refinaria Dangote, inaugurada em Lekki, Nigéria, busca reduzir importações de petróleo e abastecer países vizinhos, mas não consegue suprir toda a demanda regional.

A crise energética causada pela guerra no Oriente Médio e pelo fechamento do estreito de Ormuz já afeta a África de forma aguda. O aumento dos preços de combustíveis e a incerteza no abastecimento alcançam o continente, impactando cidadãos e governos.

Especialistas apontam que a elevação dos preços do petróleo ronda 50% em várias regiões, pressionando a inflação. Mesmo com a África respondendo com reduções de impostos e medidas de racionamento, a dependência de importação de energia medievaliza as dificuldades.

Governos africanos já adotam respostas diversas. Em cidades grandes, há cortes programados de energia para reduzir consumo, enquanto outros países incentivam o uso de transporte público e o home office para conter deslocamentos noturnos. A situação varia entre regiões e setores.

Riscos para fertilizantes

A escassez de fertilizantes preocupa especialmente a segurança alimentar. Cerca de um terço do comércio mundial de fertilizantes passa pelo estreito de Ormuz, e o aumento de preços pode comprometer safras na África Ocidental e Central. Países discutem medidas de apoio aos produtores.

A falta de investimento na indústria petrolífera local agrava a situação. Embora a região detenha reservas significativas, o baixo ritmo de refino reduz o saldo entre produção e consumo, elevando a dependência de importações.

Ayrton Dangote, empresário africano de maior riqueza, inaugurou em 2023 a maior refinaria do continente, em Lekki, na Nigéria. Com capacidade de 650 mil barris por dia, a planta ajuda a reduzir importações e abastecer vizinhos com derivados, como diesel e kerosene, mas enfrenta demanda ainda maior do que a capacidade instalada.

A crise energética também reverbera na agricultura. Executivos da Organização das Nações Unidas destacam que o custo de fertilizantes mais alto aumenta o risco de fome, especialmente durante a temporada de semeadura. O tema permanece entre os pontos centrais de preocupação regional e internacional.

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