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Zaporiyia, risco real e permanente às portas da UE

Risco real e permanente na UE: a central de Zaporiyia, controlada pela Rússia, depende de geradores de emergência e de água subterrânea após ataques e cortes de energia

Vista general de la central nuclear de Zaporiyia, a mediados de 2023.
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  • A usina de Zaporiyia, com seis reatores de projeto russo, foi tomada por Moscou em março de 2022; desde então é gerida pela Rosatom e Rostekhnadzor, e seus reatores estão parados desde setembro de 2022.
  • A rede elétrica ucraniana está fraca pela guerra; apenas uma linha de alta tensão entre as dez conectadas à central permanece operante, com quinze interrupções de fornecimento desde o início do conflito.
  • O barragem de Kajovka foi destruído em junho de 2023, eliminando o reservatório de água para refrigeração; a usina passou a depender de onze poços de água subterrânea perforados no local, com danos a estruturas de combustível e a uma torre de refrigeração ocorridos posteriormente.
  • Existe o risco de fusão do combustível e liberação de radiação se falharem os sistemas de refrigeração de emergência, o que poderia afetar a saúde pública e o meio ambiente de vários países, dependendo da magnitude.
  • Do ponto de vista jurídico, não há tratado específico que regule ataques a instalações nucleares em guerras; organismos como o Organização Internacional de Energia Atômica e o Grupo de Reguladores Europeus buscam pilares de segurança, mas o contexto internacional ainda não oferece proteção total.

O complexo da usina nuclear de Zaporiyia, na Ucrânia, segue em situação de risco real e permanente, a poucos quilômetros da União Europeia. A instalação, com seis reatores de design russo, foi tomada por Moscou em março de 2022 e hoje é gerida pela Rosatom, com supervisão da Rostekhnadzor. Os reatores ficaram desligados desde setembro de 2022, mas a usina continua dependendo de suprimento externo de energia e de refrigerante para os combustíveis irradiados.

A rede elétrica ucraniana está gravemente fragilizada pela guerra. O fornecimento externo a Zaporiyia é frequentemente mantido por apenas uma linha de alta tensão, entre as tenas conectadas à unidade. Ao todo, já ocorreram 15 cortes, o último no domingo, data de aniversário da tragédia de Chernóbil. Durante estes hiatos, a segurança da usina depende dos geradores diésel de emergência.

Desafios de água e segurança

O rompimento do reservatório de Kajovka, em junho de 2023, eliminou a fonte de água para refrigerar a usina. Atualmente, Zaporiyia depende de 11 poços subterrâneos perfurados no local. Bombardeios, ataques com drones e sabotagens aumentam o risco para sistemas de segurança, instalações de combustível irradiado e a própria cadeia de refrigerção. Danos ocorridos em agosto de 2022 (edifício de combustível e resíduos) e em agosto de 2024 (torre de refrigeração) ilustram a vulnerabilidade.

Se os geradores de emergência não garantirem a refrigeração, poderiam ocorrer cenários de fusão do combustível com liberação de radiação. O risco varia conforme a magnitude, chegando a potenciais impactos à saúde pública e ao ambiente de diversos países, alterando o patamar de conflito regional.

Contexto internacional e referências legais

Historicamente, ataques a instalações nucleares não tinham proteção jurídica plena em tratados comuns. Além de Zaporiyia, outras instalações nucleares sofreram danos desde 2022, como NSC-KIPT em Járkov e KINR em Kiev, com novos incidentes em 2025. Cenas de combate em torno de usinas também indicam vulnerabilidade de infraestruturas civis a conflitos armados.

No plano internacional, ataques a instalações nucleares em cenário de conflito geram debates sobre padrões de segurança. O AIEA estabeleceu pilares de segurança em contextos bélicos, enquanto o Conselho de Segurança da ONU apoiou princípios para evitar acidentes em Zaporiyia. O Grupo de Reguladores Europeus de Segurança Nuclear trabalha para fortalecer diretrizes.

Implicações globais e contexto de outras regiões

A situação na Ucrânia se soma a preocupações sobre instalações nucleares em áreas de confronto. A literatura analisa que não há um tratado específico que regule de forma abrangente esse tipo de ataque, reforçando a necessidade de padrões robustos de segurança. Além disso, há menção a eventos históricos relevantes, como o ataque ao Osirak em 1981, para entender contextos de conflito.

Além de Zaporiyia, recentes ataques atingiram instalações nucleares no Irã e próximos a instalações israelenses, sugerindo que instalações civis podem ser alvos indiretos em guerras modernas. Observa-se também que instalações nucleares civis viram maior exposição a riscos em cenários de hostilização entre potências regionais.

Observação final

Especialistas ressaltam que o tempo urge: a degradação da segurança em Zaporiyia não é estável e não há espaço para complacência. O OIEA tem clamado por atuação firme para evitar incidentes graves, enquanto a comunidade internacional busca mecanismos jurídicos e técnicos para mitigar riscos em zonas de conflito.

Fonte de contextualização: Alejandro Zurita, ex-chefe de cooperação internacional da Euratom (2008-2016).

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