O número de brancos que praticam candomblé e umbanda aumentou muito nos últimos anos, passando de 277 mil em 2010 para quase 800 mil em 2022, segundo dados do IBGE. Essa mudança mostra que as pessoas estão vendo essas religiões de forma diferente, mas a maioria dos praticantes ainda é composta por pessoas pretas e pardas. Karla Bertino, uma professora que se juntou ao candomblé em 2015, fala sobre a importância de respeitar as tradições africanas e reconhecer seu lugar como uma pessoa branca nesse contexto. A professora Ana Paula Miranda, da UFF, acredita que esse aumento está ligado à valorização da cultura afro-brasileira, especialmente entre pessoas brancas da classe média. Apesar do crescimento no número de brancos, a proporção deles nas religiões de matriz africana caiu de 47,1% para 42,9%, o que mostra que a diversidade racial ainda é respeitada. O babalorixá Rodney William destaca que quem se junta a essas religiões deve ter um compromisso com a luta antirracista e entender a história de resistência dessas tradições, respeitando a ancestralidade africana que as fundamenta.
A adesão de brancos ao candomblé e à umbanda cresceu significativamente nos últimos anos. Dados do Censo Demográfico do IBGE revelam que o número de praticantes brancos dessas religiões triplicou em 12 anos, passando de 277 mil em 2010 para quase 800 mil em 2022. Essa mudança reflete uma nova percepção social sobre as tradições afro-brasileiras, embora a maioria dos adeptos ainda seja composta por pessoas pretas e pardas.
A professora Karla Bertino, de 39 anos, é um exemplo desse fenômeno. Após deixar a igreja evangélica, ela se conectou espiritualmente ao candomblé em 2015 e recebeu o nome de Iá Muluzi. Karla destaca a importância do respeito e da humildade ao praticar uma religião de matriz africana, reconhecendo seu papel como uma pessoa branca em um espaço tradicionalmente negro.
Mudança de Percepção
A professora Ana Paula Miranda, do Departamento de Antropologia da UFF, aponta que a adesão de brancos pode estar relacionada à maior valorização da cultura afro-brasileira. Muitas pessoas brancas, especialmente da classe média e universitárias, se aproximam dessas religiões em busca de um ambiente que rejeita a intolerância.
Apesar do crescimento no número de brancos, a proporção de adeptos brancos nas religiões de matriz africana diminuiu, passando de 47,1% para 42,9% no mesmo período. Isso indica que, embora haja um aumento absoluto de brancos, a diversidade racial nas práticas religiosas continua a ser respeitada.
Compromisso com a Luta Antirracista
O babalorixá Rodney William enfatiza que a adesão às religiões afro-brasileiras deve vir acompanhada de um compromisso com a luta antirracista. Ele ressalta que, independentemente da origem étnica, todos que se conectam a essas tradições devem entender o histórico de resistência e perseguição enfrentado por elas.
Rodney defende que, embora a religião seja inclusiva, é fundamental que os novos adeptos reconheçam e respeitem a ancestralidade africana que fundamenta essas práticas. A busca por um espaço espiritual deve ser acompanhada de responsabilidade e respeito pela cultura negra.
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