- Anish Kapoor tem retrospectiva na Hayward Gallery, em Londres, apresentando obras monumentais e uso intenso de pigmentos, incluindo a peça inflável All of Nothing (2026).
- O artista discute a relação entre corpo, arquitetura e objeto, destacando que a encenação do corpo diante da arquitetura é central em sua prática.
- Explica a coexistência de oposição entre físico e imaterial, grandeza e vazio, afirmando que tamanho não determina qualidade da obra.
- Aponta desenvolvimentos recentes: Ha Makom, uma grande peça de pigmento vermelho, além das obras Ritual Expiation e pinturas com vazios de ouro cercados por molduras rochosas e orgânicas.
- Fala sobre o uso do preto Vantablack, com obras que funcionam como “não-objetos” que chegam a quase desaparecer, explorando a fronteira entre ficção e realidade.
Anish Kapoor abre uma grande retrospectiva na Hayward Gallery, em Londres, apresentando obras que vão desde pigmentos em rochas até grandes estruturas infláveis. O olhar da mostra foca no espaço do objeto, na relação entre corpo, arquitetura e matéria, e na utilização de cores como vermelho intenso e o negro absoluto.
A exposição, que inclui o novo trabalho All of Nothing, enfatiza como o artista continua a explorar a coexistência entre o acaso e a monumentalidade. A viagem pela produção de décadas revela esculturas que ocupam ambientes inteiros e desafiam a percepção do espaço.
All of Nothing é instalado no andar superior, ocupando grande parte da galeria. A peça inflável impõe presença dominante, com o público sendo conduzido a uma experiência que exige deslocamento e percepção de volumes.
A mostra também destaca a relação de Kapoor com o corpo e a arquitetura. O artista procura que o espectador encare o objeto como parte integrada do espaço, não apenas como forma isolada.
Em paralelo, a retrospectiva revisita vasculhos de materiais. Pedras com pigmentos, superfícies de metal polido e peças infláveis aparecem ao lado de trabalhos que sugerem dematéria, pela presença física e pela interação com o ambiente.
Entre os temas revisitados, o uso de Vantablack é debatido como técnica de obter o mais negro entre os pretos artificiais. Kapoor descreve o processo como tecnológico, complexo e seguro, destacando o papel da equipe e da engenharia envolvida.
O artista também comenta o interesse contínuo por imagens femininas e pela ritualidade na obra. Ao longo da carreira, ele associa cor vermelha a interioridade e lança luz sobre uma espécie de linguagem de devoção que atravessa objetos e espaços.
Estão em destaque séries como Ritual Expiation, com esculturas em prática de piso envolvendo formas que lembram vísceras em bandejas, e pinturas com vazios de ouro cercando molduras que remetem ao corpo. A curadoria enfatiza a transformação do humano pela matéria.
Kapoor ganhou o Turner Prize em 1991 e foi nomeado Acadêmico Real em 1999, recebendo título de cavaleiro em 2013. A mostra na Hayward é a mais recente de uma trajetória marcada por intervenções arquitetônicas significativas.
Desencontro entre o maciço e o passageiro, entre o concreto e o sensorial, guia a leitura da retrospectiva. O conjunto de obras reforça a ideia de que tamanho não determina valor, mas sim significado que amplia a experiência do espaço.
Contexto da exposição
A Hayward Gallery abriga a exposição de Kapoor, que já recebeu survey importante no Reino Unido em 1998. A mostra permanece em cartaz até outubro de 2026, oferecendo ao público britânico uma visão abrangente de sua trajetória interdisciplinar.
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