- Stoke-on-Trent busca £325 milhões para estabilizar e restaurar sites históricos ligados à cerâmica nos próximos dez anos, incluindo até £150 milhões para o complexo Chatterley Whitfield.
- A cidade declarou uma “emergência patrimonial” após o centenário de 2025, com pelo menos 16 grandes locais em risco e muitas estruturas já em deterioração. A área é conhecida como as Potrarias de Staffordshire, berço de Wedgwood, Spode e Royal Doulton.
- O apelo é dirigido ao governo central, a órgãos nacionais de financiamento e a investidores privados; a região abriga mais de duzentos setenta e cinco imóveis considerados listados, vinte e duas áreas de conservação e mais de 1.500 sítios de interesse local.
- Desafios incluem incêndios, demolição de fornos e altos custos de restauração, especialmente em propriedades privadas, com apenas 47 dos cerca de 2.000 fornos de vidro sobreviventes.
- Projetos recentes de restauração, como no site da fábrica Spode, Middleport Pottery e Goods Yard, já mostraram possibilidades de reuso para moradia, indústrias criativas e turismo, com planos para ampliar a proteção de edifícios-chave.
Stoke-on-Trent, berço britânico da cerâmica, lançou um apelo urgente por recursos para proteger dezenas de edifícios industriais históricos. Sem ação imediata, o patrimônio ligado aos grandes nomes da indústria cerâmica corre o risco de desaparecer.
A cidade, conhecida como as Potteries de Staffordshire, abriga nomes como Wedgwood, Spode e Royal Doulton. Décadas de fechamento de fábricas e financiamento insuficiente deixaram muitos imóveis em estado precário, ameaçando a memória global da cerâmica que moldou o século 18 em diante.
O município afirma que o quadro de degradação é grave: mais de 275 estruturas listadas, 22 áreas de conservação e mais de 1.500 sítios de interesse local. Um consórcio de preservação descreve 16 locais significativos como “em risco imediato”.
Em busca de apoio
A administração local estima a necessidade de cerca de £325 milhões ao longo de dez anos para estabilizar e restaurar espaços chave, incluindo até £150 milhões para o complexo da antiga Chatterley Whitfield. O objetivo é atrair governo, entidades nacionais e investidores privados.
Jon Rouse, chefe do executivo municipal, aponta que a declaração de emergência ocorreu após o marco do centenário em 2025, que elevou o reconhecimento internacional de Stoke. O plano compara a situação com Sèvres, Limoges e outras cidades cerâmicas globais, destacando lacunas de proteção e investimento.
Desafios de preservação
O projeto fotográfico Fortyseven documenta fornos de vidro e fornos de grãos que ainda se mantêm, mesmo com rooflines comprometidos e vegetação avançando entre as paredes. A obra evidencia dificuldades de manutenção em patrimônios industriais tombados, especialmente quando estão em mãos privadas.
Especialistas citam custos elevados de restauração, como repontilhamento em cal, andaimes e mão de obra especializada. A associação local de patrimônio enfatiza a participação da população para a viabilidade a longo prazo, não apenas soluções pontuais com financiamento.
Olhos na recuperação
Entre exemplos positivos, o governo municipal cita a reutilização de áreas como Spode, Middleport Pottery e Goods Yard, que viraram habitação, setores criativos e atrações turísticas. A cidade já investiu mais de £6,5 milhões na proteção de edifícios-chave, incluindo o Wedgwood Institute e o Burslem Indoor Market.
Planos futuros preveem espaços culturais, como possível casa de shows no Queen’s Theatre e a transformação do Hanley Town Hall em hotel com coworking. A meta é firmar Stoke como destino cultural, apoiada pela designação recente de Cidade Criativa do Mundo.
Contexto e perspectivas
A administração destaca que a cerâmica não é apenas indústria antiga, mas parte da identidade local. O declínio industrial deixou impactos econômicos persistentes, tornando a recuperação do patrimônio uma peça simbólica e econômica. A resposta nacional ainda é incerta, segundo o executivo-chefe, que reforça a necessidade de apoio externo.
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