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Arquivo digital reconstrói manuscritos de Leonardo da Vinci após quatro séculos

Leonardotheka reconstrói cinquenta páginas do Codex Atlanticus, reunindo cerca de 550 folhas de Windsor para recuperar o contexto original de Leonardo

Leonardo da Vinci, The head of Leda, c. 1505-1508. RCIN 912516r
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  • Um vasto repositório digital dedicado a Leonardo da Vinci foi lançado, reunindo milhares de páginas do artista, separadas há mais de quatro séculos.
  • O projeto Leonardotheka reúne o Codex Atlanticus, na Biblioteca Ambrosiana, em Milão, com cerca de 550 folhas da Royal Collection em Windsor, Reino Unido.
  • A iniciativa de dez anos envolve o Museo Galileo (Florença) e as instituições Royal Collection Trust e Biblioteca Leonardiana, em Vinci, na Toscana; já foram reconstruidas 50 páginas confirmadas.
  • Algumas reconstruções reagrupam folhas de Windsor às páginas originais do Codex Atlanticus, buscando restaurar o contexto original, como um folio que une uma figura de cavalo a um texto sobre o monumento Regisole.
  • O projeto é visto como a manutenção da propriedade intelectual das instituições envolvidas em formato digital, com financiamento público e via bilheteria do próprio museu, e pretende acelerar a pesquisa ao ampliar a integração entre as obras.

A nova etapa de Leonardo da Vinci ganhou vida digital: um acervo extenso reuniu páginas do artista que estavam separadas há mais de 400 anos. O projeto Leonardotheka tornou acessível milhares de trechos reunidos virtualmente.

Conduzido pelo Museo Galileo, em Florença, o Leonardotheka envolve três instituições: a Royal Collection Trust, a Veneranda Biblioteca Ambrosiana e a Biblioteca Leonardiana, de Vinci, na Toscana. A iniciativa tem duração de dez anos.

Ao todo, foram confirmadas 50 reconquistas de páginas, com fragmentos de Windsor devolvidos às páginas do Codex Atlanticus para restaurar seu contexto original. A operação visa consolidar a integridade do conjunto histórico.

Um exemplo citado pela equipe envolve a interligação de um folio específico do Codex Atlanticus com um correspondente de Windsor, reunindo uma obra de desenho de cavalo com texto sobre um monumento clássico próximo a Milão.

O Codex Atlanticus, legado de Leonardo, foi herdado por seu aluno Francesco Melzi e posteriormente dividido por Pompeo Leoni, que separou o material em dois álbuns. O resto acabou na Royal Collection, no século XVII.

Os ativos digitais do projeto preservam a ideia de que instituições culturais devem manter a propriedade intelectual de seus esforços digitais, sem depender exclusivamente de plataformas comerciais. A orientação contrasta com a expansão de bibliotecas digitais generalistas.

O apoio financeiro fica em parte por conta do Ministério da Cultura da Itália e do Ministério da Universidade e da Pesquisa, com o restante provido pelo Museo Galileo, principalmente via receita de ingressos.

Espera-se que a ferramenta acelere pesquisas e amplie o acesso a estudiosos e ao público, ao consolidar o Codex Atlanticus com os folios de Windsor. A união facilita entender o raciocínio e o fluxo de trabalho de Leonardo em diversos projetos.

Especialistas de renome apontam que a novidade permite visualizar o processo criativo de Leonardo, incluindo como organizava seus papéis e como conciliava diferentes temas em projetos para diversos clientes e parceiros.

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