- Aquarela de 1888 de Paul Cezanne, em exibição na Basel, pertencia ao empresário judeu Gustav Schweitzer, que teve perdeu a obra por perseguição nazista.
- Pesquisador Willi Korte encontrou documentos em arquivos de Basel mostrando empréstimo da obra à Kunsthalle para uma exposição em 1936 e retorno seguro em 1939.
- Não se sabe exatamente como Schweitzer perdeu a propriedade; pode ter sido vendida sob coerção ou saque durante a ocupação nazista.
- A Fundação Beyeler informou que devolverá a obra ao credor; afirmou que o museu não tem base legal para reter o item.
- A investigação sobre Schweitzer e seus descendentes segue, com a sugestão de mediação pela Beyeler para reconhecer a perda por perseguição e buscar eventual compensação.
A obra em água-viva de Paul Cezanne, de 1888, que integrava a exposição de Basel dedicada ao artista na Fondation Beyeler, está no centro de uma controvérsia de proveniência. A pesquisa indica que o quadro pertenceu a um empresário judeu que perdeu a posse em decorrência da perseguição nazista. A exposição encerrou na segunda-feira.
A investigação foi conduzida por Willi Korte, pesquisador de um herdeiro de Gustav Schweitzer, que deixou Berlim em 1935. Documentos encontrados em arquivos públicos de Basel descrevem um empréstimo do quadro à Kunsthalle local para uma mostra de 1936, com retorno confirmado em 1939. Ainda não está claro como Schweitzer perdeu a propriedade.
Segundo o pesquisador, o destino do quadro pode ter sido venda sob coerção ou saque durante a ocupação nazista. Korte recomenda que a Fondation Beyeler atue para uma solução justa, reconhecendo a possível perda causada pela perseguição.
O quadro fazia parte de 79 obras na mostra Basel, que teve encerramento recente. O lacre de propriedade permanece com um colecionador privado não identificado, com a atual titularidade listada como Estados Unidos em fontes de referência de Cezanne. A Beyeler afirmou que devolverá a peça ao emprestador.
A instituição suíça informou que notificará o emprestador sobre as suspeitas levantadas. Em relação à diligência sobre a proveniência, o porta-voz explicou que a pesquisa de histórico de obras emprestadas não é tão profunda quanto a de obras da própria coleção. Não houve registro na Lost Art Database para a peça.
Pesquisas sobre a coleção de Schweitzer ganham movimento após o interesse de seus descendentes e a publicação de relatórios sobre a Bührle Collection, envolvendo casos semelhantes. Um historiador suíço afirmou que a Beyeler pode atuar como mediadora entre a família e o atual detentor da água-viva.
Caso haja acordo, o objetivo é reconhecer que o proprietário original perdeu a obra por perseguição nazi e buscar compensação conforme práticas comuns, mantendo a neutralidade institucional. A proposta não representa per se conclusão judicial.
Entre na conversa da comunidade