- You Weijie, viúva e porta-voz das Madres de Tiananmén, concedeu entrevista em Pequim após quase um ano sem publicação, em meio a forte vigilância policial.
- Ela relembrou que o governo deve tornar públicos “todos os fatos” para evitar repetições da repressão de 1989 e pediu três demandas: verdade, compensação e responsabilização.
- A entrevista enfatizou que as autoridades monitoram constantemente seus movimentos, com ponto de polícia abaixo de seu apartamento e restrições a entrevistas públicas e atos commemorativos.
- As famílias realizam, tradicionalmente, homenagens no Cemitério de Wanan; neste ano de 2025, apenas cinco famílias participaram, segundo relatos.
- O governo é acusado de não responder às vítimas e de impedir eventos de memória, com o anúncio de que o Buró de Segurança Pública de Pequim proibiu pela primeira vez em trinta anos a cerimônia anual no cemitério, segundo a Radio Free Asia.
Para chegar até You Weijie, porta-voz das Madres de Tiananmén, é preciso atravessar um vestíbulo vigiado e subir ao 14º andar de um bloco em Pekín. O encontro acontece pouco antes do meio-dia de 27 de junho de 2025, em sua casa.
You Weijie recebe a reportagem de maneira discreta, explicando que a polícia mantém pontos de observação próximos ao seu imóvel durante períodos próximos ao 4 de junho. A senhora, viúva de Yang Minghu, tornou-se voz de uma das mais duras cobranças ao governo chinês.
A organização das Madres de Tiananmén reúne famílias de vítimas das protestos de 1989, reprimidos com violência. O grupo afirma buscar verdade, compensação e responsabilização pelas decisões que resultaram na trágica repressão.
Contexto
A entrevista reforça que a data de 4 de junho continua sensível na China, com restrições a atos públicos e pouca divulgação de números oficiais sobre as vítimas. Pontos de observação e restrições a jornalistas são prática comum.
You relata que, nos últimos anos, o volume de encontros com a imprensa foi reduzido por ações de segurança. Em 2024, houve interrupção de uma visita prevista pelas autoridades antes de ser concluída.
A viúva relembra que, historicamente, as famílias realizavam homenagens no Cemitério de Wanan, onde estão enterradas algumas vítimas. Este ano, a cerimônia contou com participação de poucas famílias, sob forte contingente policial.
Ela descreve que as autoridades costumavam levar os familiares a locais não revelados para evitar coberturas jornalísticas. A organização aponta para três demandas centrais: esclarecer a verdade, oferecer compensação às famílias e estabelecer a responsabilidade pela ordem de disparos.
A entrevistada afirma que a Constituição protege liberdade de expressão e manifestantes, destacando que os protestos de 1989 foram marcados por reivindicações por reformas políticas e maior transparência.
Perspectivas e números
O grupo informa que, neste ano, pelo menos 107 familiares já assinaram o comunicado anual das Madres de Tiananmén, que continua sendo preparado pela liderança de You Weijie. A contagem oficial de famílias envolve números próximos, mas não exatos, devido à pressão social.
You diz que, a cada aniversário, a pressão estatal se intensifica, e eventos privados são observados de perto pelas autoridades. Embora haja apoio de parte da sociedade, a presença de meios independentes ainda é limitada.
A porta-voz reforça que a história não pode ser esquecida e que o governo precisa enfrentar o passado com transparência. A organização continua pedindo diálogo direto com autoridades para avançar nas três demandas.
A reportagem verifica que, mesmo após décadas, as families permanecem unidas na busca por reconhecimento legal e reparação. A situação permanece tensa, com restrições de mobilidade e comunicação impostas pela segurança pública.
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