- Um tribunal mexicano ordenou ao Exército a entregar 853 páginas de informações da CFRI, rejeitando que não existiam.
- Os documentos podem avançar a investigação sobre o desaparecimento de 43 estudantes da Ayotzinapa em 2014, no estado de Guerrero.
- Até hoje ninguém foi condenado; mais de 100 pessoas foram presas e seguem em processos.
- Investigações internacionais indicam que estudantes foram mortos por crime organizado com participação de policiais; o caso teve falhas e interferências.
- Centro Pro Direitos Humanos, representante das famílias, diz que a decisão reconhece o direito à verdade; Ministério da Defesa não comentou; a presidenta buscará receber os familiares no fim do mês.
O tribunal mexicano ordenou ao Exército entregar documentos há muito aguardados que podem avançar a investigação sobre o desaparecimento de 43 estudantes em Ayotzinapa, no estado de Guerrero, em 2014. A decisão, obtida pela Reuters, derruba a alegação de que 853 páginas de informações da CFRI não existiam.
A ordem determina que esses documentos sejam disponibilizados, mesmo que não estejam classificados, por entender o interesse público e das famílias vítimas em conhecer a verdade. A CFRI é uma instituição de inteligência do Exército.
O caso, um dos mais marcantes de violação de direitos humanos no México, permanece sem condenação definitiva. Ao longo de mais de uma década, mais de 100 pessoas foram presas e enfrentam processos, sem que haja julgamento definitivo sobre a responsabilidade institucional.
Investigações internacionais apontaram que os estudantes teriam sido mortos por membros do crime organizado em conluio com forças de segurança locais, informações que receberam diferentes leituras ao longo dos anos e enfrentaram obstáculos institucionais.
O tribunal ressaltou que os documentos podem não ser classificados devido ao interesse superior das famílias e da sociedade em geral na verdade, destacando a necessidade de transparência por parte das Forças Armadas.
O Centro Pro Juárez, ONG de direitos humanos que representa as famílias, saudou a decisão. Em nota, afirmou que o veredito reconhece o direito à verdade e a obrigação de o SEDENA e outros órgãos militares fornecerem informações relevantes.
Até o momento, apenas restos de três dos 43 estudantes foram identificados. As demais identidades e locais permanecem desconhecidos.
O Ministério da Defesa não respondeu de imediato aos pedidos de comentário sobre a decisão, datada de 19 de fevereiro. Em entrevista matutina, a presidente Claudia Sheinbaum disse não ter conhecimento da decisão, mas afirmou que se reunirá com os pais das vítimas no fim deste mês.
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