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Livro mostra como o chintz indiano virou exportação global pré-colonial

Livro revela como o chintz indiano foi exportação global pré-colonial por séculos, destacando redes de comércio, artesanato e intercâmbio cultural

Artist unknown: whose hand created this early 18th-century chintz remains a mystery
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  • O livro Chintz: Indian Cotton Textiles from the Karun Thakar Collection reúne ensaios de doze especialistas em têxteis asiáticos para mostrar a diversidade dos tecidos estênceis impressos em bloco criados na Índia pré-moderno e enviados por vias marítimas a Japão, Indonésia, França e Grã-Bretanha ao longo de mais de mil anos.
  • A obra explica como o chintz, hoje associado a objetos como almofadas e cortinas, representa uma história de arte indígena, comércio e intercâmbio cultural, com impacto duradouro na história da moda global.
  • Textos destacam a natureza efêmera dos têxteis antigos, muitas vezes não sobreviventes por gerações, e o papel de artesãos cujos nomes não conhecemos, mas que introduziram variações finíssimas em padrões tradicionais.
  • O termo chintz tem variações de significado, mas, em muitos casos, refere-se a tecidos de algodão claros, tingidos com pigmentos vermelhos e índigo; no Japão, o chintz também era conhecido como sarasa, com forte demanda a partir do século XV.
  • O livro aponta que a intervenção europeia trouxe livros de padrões e gravuras, gerando uma linguagem visual híbrida e transformando a indústria em exportação, até ser superada por inovações industriais; o legado permanece relevante na história da arte e do design global.
  • • Cyrus Naji é redator freelanc, com Karun Thakar e ensaios de Avalon Fotheringham e John Guy; ACC Art Books publica o volume, com 400 páginas, 300 ilustrações a cores, preço de £60.

O livro ilustra uma forma de arte têxtil pouco compreendida: chintz, padrões de algodão gravados em blocos, criados na Índia pré-colonial e exportados por mais de mil anos para Japão, Indonésia, França e Grã-Bretanha. A obra reúne ensaios de 12 especialistas em têxteis asiáticos.

A obra se baseia em uma das maiores coleções têxteis do mundo e revela a diversidade e a complexidade de um setor de exportação antigo. Chintz é descrito como expressão de artes indígenas, comércio e intercâmbio cultural ao longo de séculos.

A definição de chintz é debatida. Em hindi, o termo pode significar spray ou efeito manchado, enquanto o uso mais comum envolve tecidos creme, de algodão, tingidos com vermelho e índigo. A expressão palampore aparece como utilidade doméstica que influenciou design global.

Desde o século XIII, os tecidos indianas percorrem rotas comerciais até a Indonésia. Padrões e pigmentos circulam por terra e mar, com os tecidos finalizados oferecidos em retirada valorizada. Entre os séculos XV e XVII, o chintz japonês, conhecido como sarasa, ganhou popularidade.

O livro cita exemplos, como um casaco do século XVIII para guardas do rei da Tailândia, produzido a partir de chintz indiano com padrões fornecidos pela corte. O material foi confeccionado pelos artistas de Coromandel, na Índia sazonalmente ligada ao design da corte.

Outra peça notável é The Flower Picker, com figura em madder red e olhos brancos, considerada a mais antiga evidência de seu tipo. A obra é atribuída ao sul da Índia e possivelmente remete ao poeta tamil Manikkavacakar, ressaltando a sofisticação da “arte popular” em contextos ritualísticos.

Com a chegada de europeus, surgiram cadernos de padrões e gravuras que geraram uma linguagem visual híbrida entre Oriente e Ocidente. A indústria, porém, tornou-se cada vez mais padronizada e exportadora, até ser superada por técnicas industriais europeias.

Hoje a produção artesanal indiana de chintz quase desapareceu, mas o legado na história da arte e do design permanece, segundo Avalon Fotheringham, curadora de têxteis indianos no Victoria and Albert Museum, em Londres.

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