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Artistas criam novas histórias a partir de fotos de arquivo

Exposição no Museum Rietberg reúne mais de vinte artistas que reimaginam fotografias coloniais, conectando passado e arte contemporânea

Spring—Four Seasons (2006), one of Wendy Red Star’s ironically idealised dioramas
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  • O Museu Rietberg, em Zurique, abriu a exposição A Kind of Paradise: Colonial-Era Photography in Contemporary Art, curada por Nanina Guyer, reunindo cerca de vinte artistas que reimaginam imagens da era colonial.
  • A mostra acompanha a tendência da Bienal de Veneza deste ano, com artistas como Sammy Baloji e Rosana Paulino, que trabalham com fotografias antigas de formas contemporâneas.
  • O conjunto da exposição se divide em quatro seções, incluindo investigação de arquivistas, confrontamento de estereótipos coloniais e o papel terapêutico da arte.
  • Exemplos destacados: Sasha Huber recobre fotografias de escravizados com armaduras feitas a partir de grampos, e Dinh Q. Lê resgata fotografias perdidas de famílias vietnamitas para criar novas narrativas.
  • O objetivo é reparar ou apagar as imagens originais, usando a fotografia como ferramenta para “colapsar o tempo” e contar histórias não ditas, com recursos como montagem, escultura e cinema.

Nanina Guyer, curadora de fotografia do Museum Rietberg, em Zurique, apresenta a exposição A Kind of Paradise: Colonial-Era Photography in Contemporary Art. A mostra reúne mais de uma dúzia de artistas que reimaginam imagens de origem colonial por meio de práticas contemporâneas. A curadoria partiu de um levantamento de 50 a 60 nomes, reduzido para cerca de 20 artistas para aprofundar as leituras.

A seleção mostra como a fotografia de épocas coloniais é revisitada com novas narrativas. Entre os artistas presentes estão Sammy Baloji e Rosana Paulino, que já aparecem na Bienal de Veneza deste ano, e outros que expandem o meio para esculturas, filmes e recontextualizações visuais.

Estrutura e temas

A mostra é dividida em quatro seções. A primeira foca artistas como archivistas, conectando obras às biografias e buscas de identidades. Nessa linha, o trabalho de Dinh Q. Lê utiliza fotografias encontradas em lojas de usados no Vietnã para reconstruir memórias ausentes.

Sasha Huber aparece na segunda seção ao confrontar estereótipos da fotografia colonial. Em trabalhos como Tailoring Freedom, Delia, profile, a artista recorta e reaprende imagens de pessoas nuas escravizadas, utilizando objetos como armaduras criadas a partir das fotos para questionar o racismo histórico.

Continuidade e impacto

A terceira seção aborda a cura pela arte, com foco na exploração de corpos e terras sob o colonialismo e na empatia radical. Zenaéca Singh participa ao sugerir a história de sua ancestralidade por meio de fotografias familiares inseridas em vidro de açúcar, com efeitos de blur que remetem a distorções históricas.

A quarta parte, In the Photo Fantastic, utiliza fabulação crítica para preencher lacunas históricas. Andrea Chung ressignifica a lenda de Drexciya, uma terra mítica associada ao tráfico de pessoas. Imagens da coleção do museu aparecem impressas em folhas que irão receber sal ao longo da exposição.

Por que usar arquivos?

Guyer explica que a ampliação de acervos digitais facilita o acesso a imagens históricas, enquanto a fotografia permite cruzar tempo e espaço. A curadora destaca que o objetivo é reparar ou apagar determinadas leituras, sem expor as fotografias originais ao público.

A exposição reforça o papel dos arquivos como fonte de pesquisa e de novas leituras sobre o colonialismo. O Museum Rietberg mantém um acervo rico de fotografias da Ásia, África, Américas e Oceania, e a mostra utiliza esse repertório para construir narrativas contemporâneas.

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