- A obra “Moonrise, Hernandez, New Mexico” (1941) de Ansel Adams foi apresentada em versão colorizada por James Danziger na feira Aipad, criada com IA e vendida em três edições de dez, por US$ 6 mil, US$ 8 mil e US$ 10 mil.
- O Ansel Adams Publishing Rights Trust condenou a forma de uso, afirmando que explorou o nome de Adams sem consentimento e usou a imagem para promover uma iniciativa comercial de colorização de obras de outros acervos.
- Danziger afirmou que a imagem é de domínio público, que usou IA apenas como ponto de partida e que procurou assessoria jurídica para agir dentro da lei, dizendo ter respeitado o original.
- A Association of International Photography Art Dealers (Aipad) disse estar ciente do caso, tratando-o com seriedade, e informou ter criado um comitê de ética para atualizar normas sobre IA.
- Diversos profissionais do setor reagiram, discutindo questões de autoria, direitos e ética na utilização de IA na arte, com posições variadas entre apoio, críticas e dúvidas.
O debate sobre IA chegou à fotografia de arte com foco em uma imagem de Ansel Adams. A obra colorizada gerada por IA foi apresentada pelo marchand James Danziger na Aipad Photography Show, em abril, gerando controvérsia entre fotógrafos e especialistas.
A Ansel Adams Publishing Rights Trust—que cuida dos direitos da marca e da produção de feitas do artista—acusa Danziger de explorar a imagem icônica sem autorização para promover uma empreitada comercial de colorização de obras de outros acervos. A organização afirma ter sido ignorada ao aparecer a peça.
A Trust divulgou, nas redes, que Danziger usou o nome de Adams, Moonrise e o evento da Aipad para alavancar a venda da obra, que foi oferecida em três tiragens de dez, com preços de 6 mil a 10 mil dólares. A peça original, a Moonrise, é vendida pela galeria do neto de Adams por valores superiores a 100 mil.
Em resposta, Danziger publicou defesa em seu site: segundo ele, a imagem está em domínio público e foi criada com base em um prompt de IA, seguido de ajustes com Photoshop. O marchand afirma ter contratado um advogado de renome para garantir a legalidade e diz que a ideia era explorar a criatividade da IA com respeito à imagem.
Especialistas e figuras do setor se manifestaram rapidamente. Pete Souza, ex-fotógrafo da Casa Branca, disse que legal não significa moral. David Kennerly, amigo de Adams, afirmou que Adams provavelmente odearia a apropriação de uma de suas fotos mais conhecidas. Aipad informou que acompanha o caso e tem estudado questões éticas envolvendo IA.
Giuseppe Lo Schiavo, artista presente na mostra, disse não ter conhecimento prévio da impressão criada por IA. Outro artista, Petra Cortright, minimizou a polêmica, enquanto Joanie Lemercier destacou preocupações sobre uso de propriedade intelectual por grandes empresas de IA. Críticos e apoiadores divergem sobre o papel da IA na criação fotográfica.
Aipad reforçou que está revisando normas éticas e de apresentação, com a criação de um comitê específico sobre IA e a atualização de estatutos, mirando um equilíbrio entre inovação e integridade artística. A instituição informou que continuará avaliando casos semelhantes com seriedade.
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