- A Bienal de Veneza abriu a imprensa com polêmica pela participação da Rússia, pela primeira vez desde o início da guerra na Ucrânia.
- A inclusão russa provocou indignação na Itália e na União Europeia, que ameaçaram cortar cerca de € 2 milhões em financiamento ao evento.
- Um protesto em frente ao pavilhão russo reuniu membros de Femen e Pussy Riot, com rostos cobertos e sinais de protesto.
- O júri da mostra renunciou recentemente, e o pavilhão russo não ficará aberto ao público; serão projetadas interpretações musicais gravadas ao ar livre.
- A entrega de prêmios foi adiada de 9 de maio para 22 de novembro, durante os seis meses de exibição, que vão de 9 de maio a 22 de novembro.
A Bienal de Veneza abriu para a imprensa com polêmica pela participação da Rússia, pela primeira vez desde o início da guerra na Ucrânia. A decisão gerou impasse entre organizadores, governo italiano e União Europeia, com críticas e consequências previstas. A edição reúne artistas de várias nações em conflito.
A presença russa ocorreu apesar de protestos anteriores e de sabotagens de funding, boicotes e demissões em alguns espaços culturais. A mostra da Bienal, que ocorre a cada dois anos, vai de 9 de maio a 22 de novembro, em Veneza.
O pavilhão russo não receberá público durante o evento. Em vez disso, serão exibidas interpretações musicais gravadas, com projeção em telões ao ar livre pelos próximos seis meses. Cerca de 30 jovens músicos, filósofos e poetas participam, em sua maioria russos, mas também do México, Mali e Brasil.
Reação internacional
Nesta semana, 22 ministros europeus de Cultura e Relações Exteriores enviaram carta aos organizadores pedindo reconsideração, classificando a presença como inaceitável diante da agressão à Ucrânia. A Comissão Europeia avisou sobre possível suspensão de subsídio de dois milhões de euros, caso a participação seja mantida.
Delegações europeias também buscaram esclarecimentos sobre as condições de acolhimento da delegação russa, citando sanções da UE. Documentos de uma inspeção italiana apontaram que o pavilhão de Veneza pertence à Rússia desde 1914, argumento invocado para manter a presença.
O ministro italiano da Cultura, Alessandro Giuli, desde o início discordou da inclusão. A renúncia do júri ocorreu na semana passada, após declaração de que não premiaria países governados por autoridades com ordens de prisão do TPI, citando Rússia e Israel.
Desdobramentos e formato da mostra
Como desdobramento, a cerimônia de entrega de prêmios prevista para 9 de maio foi adiada para 22 de novembro, última data da Bienal. O anúncio manteve o foco na situação geopolítica, sem alterar a programação geral da mostra.
A curadora Anastasia Karneeva afirmou, em vídeo, o reconhecimento da diversidade como princípio da mostra, destacando a participação de vários países. A proposta de formato substitui a presença física do pavilhão russo por peças performáticas gravadas, com acesso público limitado ao ar livre.
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