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Por que as agências de gestão de artistas estão voltando a crescer

Agentes de artistas retornam ao mercado, desafiam galerias tradicionais e oferecem gestão de carreira e parcerias com museus, ampliando opções para artistas

"It's such a zeitgeist moment": Jon Horrocks, a former director at Stephen Friedman Gallery, is launching an artist agency focused on museum partnerships
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  • Agentes de artistas estão ressurgindo, com novas firmas surgindo em Londres, Miami e Nova York para apoiar trajetórias criativas de maneiras diferentes das galerias tradicionais.
  • Destaque recente: Cristopher Canizares deixou Hauser & Wirth para lançar a Artist Legacy Bureau; outras plataformas incluem Sensity Studio, Art+Mgmt e KUNST Agency.
  • O objetivo é atuar com parcerias institucionais e desenvolvimento de carreira de longo prazo, com honorários fixos ou baseados em comissão, conforme o serviço.
  • As agências não substituem galerias, mas buscam reduzir custos, ampliar presença institucional dos artistas e favorecer projetos junto a curadores e museus; há aumento de compras diretas por colecionadores.
  • Nos Estados Unidos, precedentes como United Talent Agency, Art Agency Partners e Schwartzman& mostram que esse modelo de gestão e consultoria para artistas já existe há anos, ganhando espaço diante de mudanças no mercado.

O mercado de arte vive uma retomada de agentes de artistas, em meio a mudanças no modelo tradicional de galerias. Diversos atores criaram firmas de gestão de artistas para oferecer suporte integral, indo além da venda de obras. O movimento ganhou força nos últimos dois anos.

No fim do mês passado, Cristopher Canizares deixou a Hauser & Wirth para lançar a Artist Legacy Bureau. Ele integra uma leva de empresas que surge para ampliar o papel dos representantes no cenário artístico contemporâneo. O objetivo é apoiar carreiras com estratégias de longo prazo.

Entre os destaques, aparece a Sensity Studio, em Londres, criada por Dina Mostovaya para promover artistas mulheres; a Art+Mgmt, em Miami, de Julia Bassiri; e a KUNST Agency, de Anne Verhallen, que atua na interseção entre moda, arte e música. Spencer Young também ingressou ao setor, com base em Nova York.

Novo perfil de atuação

Jon Horrocks, ex-diretor da Stephen Friedman Gallery, lança uma agência dedicada a parcerias com museus. O modelo funciona com equipes enxutas, sem espaço físico excessivo, e trabalha com artistas na manutenção de presença institucional. O foco é curadoria, exposições e aquisições em instituições.

Horrocks aponta uma cobrança de tarifas variáveis, com ações mensais, comissões sobre vendas museu e opções de pacotes completos. A proposta prioriza desenvolvimento de carreira de longo prazo, incluindo planejamento patrimonial e relações com acadêmicos.

Crescente disintermediação

A estrutura de cobrança busca refletir a diversidade de serviços oferecidos. Alguns artistas não têm representação formal, outros apenas buscam um feedback estratégico. O objetivo é reduzir a pressão sobre galerias e ampliar a autonomia dos artistas para atuar fora de espaços tradicionais.

Dados de mercado indicam que, apesar do crescimento das agências, as galerias continuam comandando as compras, respondendo por 43% dos gastos de colecionadores em 2025. Ao mesmo tempo, as vendas diretas aos colecionadores, feitas pelo estúdio ou por comissões, cresceram para 20% no mesmo período.

Casos de integração entre galeria e gestão

Davis Keller Gallery, em Los Angeles, nasceu da união entre Rachel Keller e David Keller com a gestão de estúdio, visando atender artistas de médio porte. A proposta é reduzir tensões entre aluguel de espaços e expansão criativa, atendendo a colecionadores jovens com novas práticas de apresentação.

Os fundadores destacam que artistas ganham mais autonomia e exploram formatos interdisciplinares. Além de exposições, há ativação com marcas, projetos com hospitalidade ou colaborações diversas, abrindo espaço para o papel de agentes ou diretores criativos dentro da cadeia.

Precedentes e cenário internacional

Histórico europeu e americano embasa o movimento. Em 2016, a Art Agency, Partners ampliou serviços a artistas e estates, sendo adquirida pela Sotheby’s em 2016. Em 2020, o fundador criou a Schwartzman&, ampliando a atuação em advisory para artistas. O setor passou a buscar modelos híbridos, com maior foco estratégico.

Especialistas apontam que mudanças no comportamento de compra e a pandemia aceleraram a necessidade de abordagens mais personalizadas. Observa-se uma tendência de reutilização de estruturas para atender artistas que demandam planejamento de carreira e gestão de legado artístico.

O setor, segundo analistas, pode atuar como modelo complementar ao das galerias, oferecendo suporte adicional aos artistas. A expectativa é que as agências mantenham o papel de facilitar relacionamentos com museus, curadores e colecionadores, sem substituir as funções centrais das galerias.

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