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Complexo de fraude no Camboja gera provas, afirma exército tailandês

Exército tailandês revela em O’Smach evidências de fraude transnacional; vítimas de tráfico forçadas a aplicar golpes, com listas de alvos e scripts de engano

Scam compounds near the Chong Chom-O’Smach border between Thailand and Cambodia along a disputed border area in Oddar Meanchey, Cambodia
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  • A base de golpes no Camboja, O’Smach, foi alvo de operação na fronteira, com militares tailandeses recuperando evidências de fraude transnacional.
  • O complexo abrigava milhares de pessoas, incluindo vítimas de tráfico humano forçadas a aplicar golpes contra desconhecidos.
  • Um dos prédios de seis andares, bombado e ocupado pelas Forças Armadas da Tailândia, continha documentos como listas de alvos e roteiros de diálogo de golpes.
  • Entre os itens apreendidos estavam 871 cartões SIM, dezenas de smartphones, insígias policiais e uniformes falsos.
  • A operação ocorre após um cessar-fogo entre Tailândia e Camboja em dezembro, que encerrou semanas de confrontos na fronteira.

O Exército da Tailândia informou nesta segunda-feira ter encontrado um conjunto de evidências de fraude transnacional em um complexo de golpes no Camboja, apreendido durante confrontos entre os dois países no ano passado, na região da fronteira disputada. O material foi recuperado após a captura do complexo O’Smach, em ações que ocorreram em meio a tensões locais.

Os militares tailandeses disseram que o local abrigava milhares de pessoas, em sua maioria vítimas de tráfico humano obrigadas a realizar golpes contra alvos no exterior. Um dos edifícios, de seis andares, foi mostrado a repórteres com documentos, listas de potenciais alvos e roteiros de conversas usados nos golpes.

A apresentação ocorreu em Surin, na província de onde partiu a operação, com participação de delegações estrangeiras. Os soldados exibiram dezenas de smartphones, centenas de cartões SIM para comunicação internacional anônima e uniformes que simulavam autoridades policiais.

Ao longo do local, havia salas montadas para parecer escritórios de polícia de diferentes países, incluindo Brasil, China e Austrália, segundo a defesa tailandesa. A área foi bombardeada e ocupada por forças locais no fim do ano passado.

O governo tailandês informou que o cessar-fogo de dezembro pôs fim aos confrontos na fronteira, que se intensificaram nas semanas anteriores. As operações de combate teriam, segundo as autoridades, atingido vários complexes de cassinos usados como bases de golpes.

Teeranan Nandhakwang, general-adjunto da Direção de Inteligência do Exército Real da Tailândia, afirmou que as evidências servem para demonstrar o uso do local como base criminosa contra a humanidade. Ele ressaltou a importância de tornar pública a prática para o entendimento internacional.

Touch Sokhak, porta-voz do ministério do Interior do Camboja, afirmou a veículos de imprensa que Phnom Penh está investigando o uso de centros de golpe como pretexto para ataques militares. Segundo ele, o Camboja realiza uma ofensiva contra golpes e busca erradicar o crime até abril.

Parte do material apreendido já foi utilizado em investigações regionais sobre fraude online. Observadores apontam que áreas de fronteira na região têm se tornado polos de atividades ilícitas, com impactos transnacionais.

Entre os itens recolhidos estavam 871 cartões SIM que permitem comunicação internacional anônima, além de diversos smartphones. As autoridades tailandesas destacaram que o material pode fundamentar ações judiciais contra envolvidos.

Relatos dos presentes indicam que o complexo oferecia recursos para facilitar golpes financeiros contra indivíduos de diferentes países, com scripts de diálogo preparados para enganar as vítimas. A polícia cambojana ainda não divulgou detalhes sobre desfechos da operação.

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